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Formação de professores: importância, estratégias e princípios

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Uma formação de professores adequada serve como alicerce para construir escolas, cidadãos e profissionais mais competentes, éticos e humanos.

Nas palavras do educador Moacir Gadotti, “a educação é um lugar onde toda a nossa sociedade se interroga a respeito dela mesma – ela se debate e se busca”.

Nesse contexto, as escolas são ambientes fundamentais para o desenvolvimento do senso crítico dos alunos, além do aprimoramento das técnicas utilizadas pelos professores, responsáveis por orientar crianças, adolescentes e jovens na busca pelo conhecimento.

Porém, atrair e despertar o gosto pelo aprendizado vem se tornando uma tarefa cada vez mais difícil nos dias de hoje, pois são inúmeros os fatores que competem pela atenção dos estudantes.

Daí a importância de que os educadores estejam sempre bem preparados e atualizados, tanto para promover questionamentos sobre o mundo quanto para apresentar soluções a partir de diferentes pontos de vista.

E isso só é possível com uma capacitação de qualidade, que não se restrinja a aspectos tecnológicos ou formais.

Vamos tratar da formação de professores neste artigo, abordando os seguintes tópicos:

  • O que é a formação de professores?
  • O que é formação continuada?
    • Base Nacional para a Formação de Professores
  • Qual a importância da formação continuada para professores?
  • Quais os benefícios práticos de investir na qualificação de professores?
  • O que é preciso para ser um bom professor?
  • Como a escola pode ajudar na formação de professores?
  • 13 princípios para formação de professores

Ficou interessado? Então, boa leitura!

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A formação de um professor nunca acaba. A atualização precisa ser constante

O que é a formação de professores?

Formação de professores é um termo amplo, que pode se referir tanto à formação básica quanto à formação complementar ou continuada.

Podemos definir a formação básica de professores como o processo obrigatório para que esse profissional esteja habilitado a dar aulas.

No Brasil, esse processo corresponde à aprovação no curso de Pedagogia para lecionar em classes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental; e licenciatura para lecionar a partir do 6º ano do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

A licenciatura deve corresponder à área em que o professor pretende atuar, como História, Matemática, Letras, Geografia e Ciências.

Em geral, os cursos envolvem aulas teóricas, práticas e estágio, que deve ser supervisionado por professores experientes, coordenadores e diretores das escolas.

Já a formação complementar pode incluir seminários, workshops e cursos livres na área de interesse do profissional, além de pós-graduação.

Junto a treinamentos para reciclagem, especialização, mestrado, doutorado e MBA também podem fazer parte da formação continuada.

O que é formação continuada?

Como o nome sugere, formação continuada descreve a busca constante por aprimoramento profissional.

Ela pode se dar através de uma série de metodologias e atividades, ferramentas, de forma presencial ou a distância.

Cursos de reciclagem, pós-graduação, palestras, workshops, eventos e mecanismos de avaliação, como provas, são exemplos de instrumentos de formação continuada para professores.

Recentemente, a formação continuada ganhou destaque por marcar presença na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – um dos principais documentos normativos que definem o conjunto de aprendizagens essenciais aos alunos brasileiros.

A BNCC aborda desde as disciplinas obrigatórias até os temas, carga horária e condições mínimas para aprovação nas diferentes etapas e modalidades da Educação Básica, sendo composta por:

  • Textos introdutórios (geral, por etapa e por área)
  • Competências gerais que os alunos devem desenvolver ao longo de todas as etapas da Educação Básica
  • Competências específicas de cada área do conhecimento e dos componentes curriculares
  • Direitos de aprendizagem ou habilidades relativas a diversos objetos de conhecimento que os alunos devem desenvolver em cada etapa da Educação Básica.

Além de nortear o currículo e o ensino dos estudantes, o documento tornou obrigatória a formação continuada para os professores.

A ideia é que esses profissionais aprimorem não apenas seu conhecimento formal, mas também as competências que facilitam o aprendizado e inspiram os alunos, como didática, empatia e colaboração.

Base Nacional para a Formação de Professores

O processo de habilidades desenvolvidas pelos professores no Brasil poderá sofrer transformações em breve, caso a proposta para a Base Nacional Comum da Formação de Professores da Educação Básica seja aprovada.

Finalizado em dezembro de 2018, o documento pretende alinhar a capacitação desses profissionais à BNCC, estabelecendo uma linguagem comum a respeito do que é esperado e revisando as diretrizes dos cursos de Pedagogia e das licenciaturas.

Nesse sentido, a proposta se baseia em três dimensões:

  1. Conhecimento: domínio dos conteúdos ensinados
  2. Prática: gestão da aprendizagem
  3. Engajamento: interação e compromisso quanto ao trabalho como educador.

Além disso, o atual estágio obrigatório de 400 horas será substituído por um programa de residência supervisionado por um professor experiente e um orientador da faculdade, começando no primeiro semestre de curso.

No caso dos cursos de Pedagogia, o documento pretende dividir os quatro anos de graduação em três fases distintas.

A etapa inicial se dará ao longo dos dois primeiros anos, quando serão abordadas políticas públicas e didáticas em sala de aula.

No terceiro ano, o graduando se concentrará em uma das etapas do Ensino Básico – educação infantil, alfabetização ou primeiros anos do Ensino Fundamental.

No quarto e último ano, o futuro professor terá a oportunidade de se especializar, escolhendo um segmento de carreira entre educação especial, gestão, didática ou educação profissional.

Haverá também a aplicação do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) aos futuros professores, a fim de lhes conferir habilitação, que terá validade de cinco anos.

Mas, para que entre em vigor, a proposta deve passar pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

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Não faltam opções para os professores continuarem sua formação e expandirem seu conhecimento

Qual a importância da formação continuada para professores?

Todo segmento de mercado passa por mudanças ao longo dos anos, o que pede a atualização constante daqueles que formam os profissionais.

Antes da popularização da internet, as mudanças ocorriam em um ritmo mais lento, uma vez que novas informações demoravam meses ou até anos para serem transmitidas entre universidades, escolas e diferentes países.

No entanto, a partir do boom da web nos anos 2000, grande parte das instituições – e pessoas físicas – passou a ter acesso a um universo de dados, o que impactou a forma de aprendizado.

Desde então, o mundo tem se tornado cada vez mais digital, com transformações em ritmo acelerado, resultando em gerações de crianças e jovens dispersos, que já não se interessam por aulas tradicionais.

Conquistar e manter a atenção desses alunos é um desafio para os professores, que precisam desenvolver novos métodos de ensino, que incluam as ferramentas digitais presentes no dia a dia dos estudantes.

Afinal, é necessário utilizar elementos familiares para converter informações em conhecimento sólido.

Nesse cenário, a formação continuada exerce um papel essencial, sendo instrumento de motivação para o aprendizado dos alunos e de engajamento profissional aos professores, que se sentem estimulados e conseguem inspirar jovens e crianças.

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As instituições de ensino têm seu papel na atualização dos professores também

Quais os benefícios práticos de investir na qualificação de professores?

Manter um corpo docente qualificado impacta a rotina em sala de aula de maneira positiva, pois professores bem preparados levam novidades para os encontros com alunos.

Esse fator é percebido pelos estudantes, que se tornam mais atentos e com melhor rendimento nos estudos, tanto durante as atividades na escola quanto para pesquisas, lições e outras tarefas feitas em casa.

Professores e alunos dedicados contribuem para um ambiente leve e colaborativo, reduzindo problemas de comportamento e integração em sala de aula.

Os educadores também constroem um canal de diálogo efetivo junto aos estudantes, identificando barreiras de aprendizagem com mais facilidade e propondo soluções inteligentes.

A formação continuada aprimora, ainda, as ações de gestão de diretores, coordenadores e orientadores, otimizando processos e fortalecendo a comunicação entre os diferentes níveis hierárquicos.

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Ser um professor demanda grande esforço e responsabilidade além do conhecimento

O que é preciso para ser um bom professor?

É preciso mais do que vocação e afinidade com o ensino para ser um bom professor.

Na prática, esse profissional deve desenvolver habilidades cognitivas, sociais e emocionais para que visualize e implemente respostas criativas às demandas do dia a dia.

Em resumo, vale investir em uma somatória de competências que permeiam diversas áreas do conhecimento, desde liderança até linguagens e ética.

Claro que não existe uma receita pronta para ser um professor eficiente, mas podemos utilizar estudos atuais como ponto de partida.

A seguir, listamos 10 grupos de competências apontadas pelo autor suíço Philippe Perrenoud, reconhecido por analisar essa temática sob o prisma da Pedagogia:

  1. Organização e direção das situações de aprendizagem
  2. Administração da progressão das aprendizagens
  3. Concepção e empenho para que os dispositivos de diferenciação evoluam
  4. Envolvimento dos alunos em sua aprendizagem e trabalho
  5. Trabalho em equipe
  6. Participação da administração da escola
  7. Envolvimento dos pais
  8. Utilização de novas tecnologias
  9. Enfrentamento dos deveres e dilemas éticos da profissão
  10. Manutenção da própria formação contínua.
formação de professores como a escola pode ajudar
Estrutura, apoio e até incentivos financeiros podem ser oferecidos pelas escolas para ajudar os professores em suas carreiras

Como a escola pode ajudar na formação de professores?

Principal ambiente de trabalho dos docentes, a escola pode estimular a formação continuada desses profissionais.

Mais uma vez, não existe uma fórmula que tenha sucesso em todas as instituições, já que cada uma tem seus pontos fortes e fracos.

Então, o primeiro passo deve ser o levantamento daquilo que precisa ser melhorado, seguido de uma análise de prioridades.

Para entender melhor, vamos imaginar que uma escola fez uma avaliação geral e levantou dois problemas rapidamente: o desinteresse dos alunos pelas aulas de História e um ambiente competitivo entre os professores.

Ao eleger qual demanda precisa ser solucionada imediatamente, é crucial considerar seus impactos.

No nosso exemplo, o estrago maior decorre do clima no ambiente acadêmico, que se torna pesado quando existe competição exacerbada. Assim, essa questão precisa ser resolvida com prioridade.

Ela pode até ser uma das razões por trás do desinteresse dos alunos pelas aulas de História. Será que eles desprezam os conhecimentos de um professor por considerarem outro mais bem preparado?

De qualquer forma, é essencial valorizar as características de cada pessoa, incluindo os educadores, gestores e demais funcionários da escola.

O terceiro passo consiste na ação para solucionar o problema, que será tomada conforme as ferramentas disponíveis.

A competição entre os docentes pode ser atenuada por meio de conversas, atividades de integração e melhor distribuição das tarefas fora da sala de aula, de maneira que evidenciem os pontos fortes entre os colegas.

Palestras, seminários, debates, eventos, congressos e cursos são outras opções que a escola pode promover para aperfeiçoar as habilidades dos educadores de forma mais geral.

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É importante que as instituições de ensino invistam em estrutura, pensem em planos de carreira e se preocupem com o ambiente de trabalho

13 princípios para formação de professores

A tarefa de formar professores é bem-sucedida a partir de dois pontos-chave: docentes qualificados para compartilhar conhecimento com seus pares e um plano de carreira digno, que proporcione crescimento e reconhecimento profissional.

Vamos começar falando sobre os docentes qualificados, que têm uma grande responsabilidade em mãos: formar novos professores competentes, éticos e inspiradores.

Para tanto, esse profissional pode se basear nas características citadas na obra de Paulo Freire, um dos maiores estudiosos sobre a Educação do século XX e referência para o desenvolvimento de diversos materiais do Ministério da Educação (MEC).

Com uma visão ampla e inclusiva, Freire aponta que o exercício da docência na atualidade pede:

Rigorosidade metódica, pesquisa, respeito aos saberes dos educandos, criticidade, ética e estética, corporificar as palavras pelo exemplo, assumir riscos, aceitar o novo,  rejeitar qualquer forma de discriminação, reflexão crítica sobre a prática, reconhecimento e assunção da identidade cultural, ter consciência do inacabamento, reconhecer-se como um ser condicionado, respeitar a autonomia do ser educando, bom senso, humildade, tolerância, convicção de que mudar é possível, curiosidade, competência profissional.

Sobre o segundo ponto – um plano de carreira digno -, vale recordar 13 princípios descritos na Resolução nº 2/2009, que fixou as diretrizes nacionais para os Planos de Carreira e Remuneração dos Profissionais do Magistério da Educação Básica Pública.

Apesar de serem direcionados ao ensino público, os princípios também podem servir como parâmetro para o desenvolvimento de mecanismos de aprimoramento na rede particular.

A seguir, confira 13 apontamentos baseados na legislação:

1º) Atenção aos conteúdos

Uma educação fundamentada em valores democráticos parte da seleção de conteúdos adequados, que ofereçam uma perspectiva plural a respeito dos mais variados assuntos.

Por isso, a Resolução nº 2/2009 exige a promoção de conteúdos que valorizem trabalho, a diversidade cultural e a prática social, empregando o investimento necessário para apoiar o aprendizado efetivo.

2º) Qualidade da ação educativa

A legislação do MEC sustenta o acesso à carreira por concurso público de provas e títulos, a fim de garantir que apenas profissionais qualificados ensinem nas escolas públicas.

Na rede particular, esse processo pode se dar através de uma seleção rigorosa, que englobe não apenas a avaliação da capacitação técnica, mas também competências socioemocionais e didáticas.

3º) Remuneração digna

Embora a carreira como docente pressuponha vocação e missão de vida relacionada à troca de conhecimentos, a remuneração continua sendo um fator importante.

Sem um salário que esteja alinhado à dedicação e formação, fica difícil manter profissionais bem preparados nas instituições de ensino.

Na esfera pública, a remuneração deve corresponder ou superar o valor do piso salarial, contido na Lei nº 11.738/2008.

Já as entidades particulares podem seguir os valores publicados por sindicatos de seu estado.

4º) Valorização e reconhecimento

O quarto princípio prevê o fomento de ações para equiparar a carreira docente a outras com formação semelhante, chamando a atenção para a necessidade de reconhecer a relevância do trabalho dos professores.

Sem eles, a disseminação de conhecimento e a formação de profissionais de todos os setores econômicos ficariam seriamente prejudicados.

5º) Progressão na carreira

A proposta deste princípio é que exista, de fato, um plano de carreira para os professores, com etapas claras quanto ao desenvolvimento e recompensas (salário maior, benefícios, responsabilidades, gratificações, etc.).

Esse fator aumenta o engajamento e possibilita aos educadores planejarem a sua trajetória profissional, traçando metas para alcançar objetivos.

6º) Tempo de serviço

No ensino público, existe a premissa de considerar o tempo de serviço junto a outros componentes para promover os professores.

Essa política pode ser avaliada ou adaptada na rede particular, valorizando os funcionários que se dediquem mais ao trabalho.

7º) Jornada de trabalho

Ao contrário do que ocorre na maioria das profissões, a jornada dos docentes precisa incluir tempo para estudo e planejamento das aulas.

Assim, o MEC recomenda que o período lecionando não ultrapasse 40 horas semanais, a fim de evitar jornadas extenuantes e o comprometimento da saúde mental dos professores.

8º) Local de trabalho

A legislação fala em incentivo à dedicação exclusiva em uma única unidade escolar da rede pública.

Claro que o professor é livre para assumir aulas em mais de uma instituição, contudo, é importante que seu trabalho principal agregue as condições e renda suficiente para uma vida digna.

9º) Apoio à qualificação

Aqui, se encaixam os investimentos, financeiros ou não, na formação continuada para os professores.

O MEC sugere que isso seja feito por meio da integração dos sistemas de ensino às políticas nacionais e estaduais, resultando no aprimoramento presencial ou a distância.

10º) Saúde do trabalhador

Este princípio reforça o zelo necessário para erradicar doenças profissionais entre os docentes, a exemplo de males que afetam as cordas vocais.

11º) Participação no planejamento escolar

Os professores devem ser chamados a opinar na elaboração, execução e avaliação do projeto político-pedagógico das escolas, fornecendo um ponto de vista prático.

12º) Transferências

Antes de transferir um docente para outra unidade escolar ou departamento, é essencial levar em consideração se há benefícios para ele e para os alunos.

13º) Flexibilidade

O último princípio fala sobre o respeito aos interesses do professor, que pode solicitar a transferência para outros locais, sem prejuízo na carreira pública.

Conclusão

Ao final desta leitura, você está bem informado sobre o processo, aplicações e tipos de formação de professores no Brasil.

Investir na formação continuada beneficia os estudantes, colegas e gestores das instituições de ensino, que podem contar com a expertise de professores atualizados.

A FIA investe constantemente na formação e capacitação de seus professores através de iniciativas institucionais e através de seus diferentes programas que desenvolvem atividades nos diversos campos temáticos da administração como: Agronegócios, Tecnologia, Comércio Exterior, Estudos do Futuro, Finanças, Gestão de Pessoas, Gestão de Projetos, Informática, Laboratório de Dados, Marketing, Pequenas e Médias Empresas, Terceiro Setor e Varejo.

Se você é gestor ou professor e deseja aprimorar seus conhecimentos e de sua equipe, acesse o site e conheça os cursos de formação da Fundação Instituto de Administração (FIA).

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