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Entenda o que é ESG, sua importância, exemplos e como funcionam os investimentos!

ESG: importância, exemplos e como funcionam os investimentos

Já ouviu falar em ESG (Environmental, Social and Governance)?

Populares no mercado internacional, esses critérios vêm ganhando cada vez mais adeptos no Brasil, especialmente entre aqueles que desejam investir em empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável.

Ao combinar análises ambientais, sociais e de governança, o ESG representa uma forma consciente de investir, que vai além da lucratividade de uma organização.

Gostou dessa premissa? Então, aproveite para aprofundar os conhecimentos sobre ESG.

Neste artigo, contamos tudo sobre como ele funciona, o cenário nacional e o que é preciso avaliar antes de apostar nesse fundo de investimento.

Confira todos os tópicos abordados neste conteúdo:

  • O que é ESG?
  • Qual a origem da sigla ESG?
  • Qual a importância do ESG?
  • Quais os motivos pelos quais o ESG tem ganhado destaque na atualidade?
  • Quais são as iniciativas globais com foco em assegurar o ESG por parte das empresas
  • Qual a relação entre ESG e greenwashing?
  • ESG e sustentabilidade: quais as diferenças?
  • Exemplos de empresas ESG
  • Cursos na área de ESG
  • O que são os fundos de investimento ESG?
    • Fundos ESG no Brasil
  • Quais os motivos pelos quais o mercado valoriza os investimentos sustentáveis?
  • Quais são os principais índices ESG na B3?
  • Quais são as características dos fundos ESG?
  • Como funcionam os investimentos em fundos ESG?
    • Como é feita a seleção das empresas com fundos ESG
  • Qual a importância de investimentos ESG?
  • Afinal, vale a pena investir em fundos ESG?
  • O que avaliar antes de investir em fundos ESG?
  • Quais são as tendências dos fundos ESG no Brasil e no mundo?
  • Como fazer investimentos em ESG?

Se o assunto é do seu interesse, siga em frente e boa leitura!

O que é ESG?

ESG é uma sigla que define os investimentos que priorizam a sustentabilidade, com valores que incluem uma abordagem ambiental, social e de governança.

Não podemos dizer que eles são novos, pois diversos países já os utilizam há mais de uma década.

Porém, sua pegada sustentável tem lhes rendido destaque no Brasil atualmente, à medida em que temas como a crise climática e a necessidade de humanização nas empresas entram em pauta.

Esses e outros assuntos mostram o quanto é urgente que as organizações mudem sua postura e passem a contribuir com locais e formas de trabalho mais saudáveis e ecologicamente corretas.

Afinal, de nada adianta obter altos lucros às custas da deterioração dos recursos naturais e/ou da exploração dos trabalhadores e da comunidade no entorno da companhia.

Os recursos naturais são finitos, o que pede sua preservação para não comprometer a sobrevivência das próximas gerações.

Já as pessoas são o capital mais importante das empresas, pois os produtos e serviços ofertados por qualquer organização são resultado do conhecimento e vivência dos colaboradores.

Juntos, esses ideais deram base à cobrança de práticas mais sustentáveis junto às companhias, resultando na sigla ESG.

Como muitas corporações buscam captar investimentos, essas práticas passaram a influenciar o mercado financeiro por meio da criação de fundos ligados às bolsas de valores.

A seguir, confira detalhes sobre cada um dos três pilares que norteiam os negócios e investimentos ESG.

Ambiental

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Ambiental

Sabe aquela máxima de que, para preservar o meio ambiente, todos precisam fazer sua parte?

Ela é real e inclui as empresas, responsáveis por boa parte das emissões de carbono que agravam o efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global.

O consumo de água, energia e produtos diversos também é impactado pelas atividades de organizações de todos os setores, principalmente as de grande porte.

Nesse contexto, ganham espaço as companhias que se dedicam a diminuir as emissões de carbono e adotar o consumo consciente, através de dinâmicas como a economia circular.

A economia circular emprega o reuso, adaptações e reciclagem para aumentar a vida útil dos produtos, diminuindo a quantidade de lixo descartado e a extração de recursos naturais para fabricar outros itens.

Fontes de energia limpa são outra tendência positiva entre as empresas, que reduzem a liberação de CO2 na atmosfera ao substituir combustíveis fósseis por fontes solares, eólicas, de biomassa, etc.

Essas ações fazem parte da métrica E (Environmental, em inglês, ou Ambiental, em português) presente no ESG.

Social

A segunda letra da sigla indica as atitudes no campo da responsabilidade social, valorização do capital humano, dos clientes e da sociedade como um todo.

Seguindo o mesmo raciocínio das ações em prol do meio ambiente, as práticas sociais enxergam a empresa como parte de uma grande engrenagem, capaz de gerar efeitos positivos ou negativos.

Ao construir um local harmônico, equilibrando diferentes pontos de vista e promovendo a diversidade e o respeito no trabalho, as companhias estão colaborando para a saúde dos funcionários, que tendem a ter mais felicidade e atender melhor os clientes.

Isso começa nas medidas básicas, a exemplo da segurança do trabalho, postos e móveis adaptados para o conforto do empregado, jornadas adequadas, pausas periódicas, programas de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

Investir no clima organizacional, em uma política aberta para dar e receber feedbacks e benefícios como a flexibilidade também ajudam a elevar a métrica S (Social) do ESG.

Governança

Completando a sigla, o G (Governance, em inglês) define as ações em prol da transparência, gestão de riscos e controle da empresa.

Por meio de boas práticas de gestão, como equidade e prestação de contas, as lideranças administram recursos humanos, materiais e financeiros visando a confiabilidade interna e externa.

Em outras palavras, seus funcionários, acionistas e até a sociedade podem verificar informações que confirmam os preceitos e valores adotados pela organização.

Companhias que prezam pela governança alcançam a excelência na administração, tornando seus processos mais eficientes e lucrativos e viabilizando boas práticas ambientais e sociais.

Também atrai investidores, uma vez que as informações ofertadas pela empresa – e seus lucros – se tornam confiáveis.

Para saber mais sobre ESG, assista o webinar da FIA sobre o tema nesse vídeo.

Qual a origem da sigla ESG?

O uso da sigla ESG é bem recente, mas para entender como chegamos a ela, é importante voltar um pouco no tempo.

pelo menos 50 anos, já existia a preocupação com investimento em negócios sustentáveis.

A prova disso é que, na metade da década de 1970, surgiu a sigla SRI, que, em uma tradução para o português, quer dizer investimento sustentável responsável.

A partir dessa época, fatores sociais passaram a contar cada vez mais na hora de escolher qual corporação merecia receber aporte financeiro de investidores.

Empresas que apoiavam a política do apartheid na África do Sul ou financiavam a Guerra do Vietnã, por exemplo, passaram a ter seus pedidos de investimento negados em razão das causas que defendiam.

Aos poucos, essas preocupações foram se expandindo, focando também nos impactos ambientais, entre outros critérios de responsabilidade corporativa das organizações.

A sigla ESG, no entanto, só foi aparecer de fato no presente século, mais precisamente em 2005, com o relatório “Who cares wins” (“Ganha quem se importa”), redigido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A iniciativa reuniu 20 instituições financeiras de diferentes países, inclusive o Brasil, para definir diretrizes a respeito da inclusão de temas ambientais, sociais e de governança no gerenciamento de fundos e pesquisas com relação a esses assuntos.

Decidiu-se então que a inclusão dessas avaliações no mercado financeiro era benéfica não apenas para as empresas e os investidores, mas também para a sociedade como um todo.

Qual a importância do ESG?

A partir do momento que o ESG passou a ser critério para investimento em empresas, mesmo negócios que não tinham essa prioridade passaram a adotar boas práticas.

Afinal, não desejam ser facilmente descartados na hora de buscar aportes financeiros externos.

Foi dessa forma que começou a se criar uma relação “ganha-ganha”.

Empresas passaram a desenvolver ações sócio-ambientais e de governança positivas, credenciando-se assim a receber capital de investidores conectados com os valores ESG.

Os investidores têm retorno em suas aplicações, e suas imagens começam a ser relacionadas com negócios sustentáveis.

Além disso, a população desfruta de um cenário mais equilibrado, diverso e transparente.

Até porque todos se beneficiam de uma organização que utiliza energias limpas e renováveis, realiza projetos sociais na comunidade e promove balanços periódicos, publicando todas as informações públicas relevantes.

Isso apenas para citar algumas ações possíveis.

Quais os motivos pelos quais o ESG tem ganhado destaque na atualidade?

Não é por acaso que o ESG tem ganhado tamanho destaque ultimamente.

Estamos falando de uma sociedade cada vez mais preocupada com valores como sustentabilidade, responsabilidade social e transparência na gestão corporativa.

Muitos consumidores abandonam marcas em razão de algum impacto nocivo que ela tenha causado ao meio ambiente.

E fazem o mesmo por não se identificarem com os ideais defendidos ou caso se envolvam em algum escândalo de corrupção, por exemplo.

Com isso, as empresas estão se conscientizando de que é preciso se adaptar a essa nova realidade.

Ser uma empresa sustentável, que preza por boas práticas ambientais, sociais e de governança, não é (ou não deveria ser) um diferencial competitivo, mas uma obrigação organizacional.

Aos poucos, essa transformação vem acontecendo.

Quais são as iniciativas globais com foco em assegurar o ESG por parte das empresas

ESG iniciativas globais por parte das empresas
Quais são as iniciativas globais com foco em assegurar o ESG por parte das empresas

Existe uma série de iniciativas que buscam incentivar e garantir que as empresas sigam as diretrizes do ESG mundo afora.

A grande maioria é promovida pela ONU.

Conheça os principais projetos:

Acordo de Paris

O Acordo de Paris é um tratado mundial que foi assinado por diversos países após a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em 2015.

O principal objetivo da iniciativa é combater o aquecimento global a partir da redução na emissão de gases causadores do efeito estufa e, assim, controlar o aumento na temperatura da Terra em menos de 2 graus – preferencialmente até 1,5 grau.

Pacto Global

É um acordo de adesão voluntária que foi lançado pela ONU em 2000 para incentivar negócios do mundo todo a desenvolverem ações com foco na sustentabilidade e na responsabilidade social.

O Pacto Global conta com 10 princípios universais, que tratam sobre direitos humanos e do trabalho, segurança ambiental e anticorrupção.

Todas as empresas que fizerem parte do acordo ‒ hoje, são milhares no mundo todo ‒ devem seguir essas diretrizes e apresentar um relatório periódico com o progresso das medidas implementadas.

Agenda 2030

É mais um projeto da ONU, este com foco em questões econômicas, sociais e ambientais.

Formalizada em 2015 com a participação de representantes dos 193 estados-membros da organização, a Agenda 2030 também amplia algumas metas estabelecidas em 2000 nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Ao todo, são 17 objetivos e 169 metas definidas no acordo, como a erradicação da pobreza, o término da fome a partir de uma agricultura sustentável, educação de qualidade, igualdade de gênero, redução das desigualdades sociais, entre outros.

Global Reporting Initiative (GRI)

É uma das medidas mais antigas, criada em 1997, com o objetivo de padronizar os balanços sobre sustentabilidade das empresas.

A Global Reporting Initiative faz esta avaliação utilizando os seguintes critérios globais: mudanças climáticas, direitos humanos, governança e bem-estar social.

Com base nesses quatro parâmetros, empresas e governos conseguem medir os impactos causados e apresentar os números encontrados de forma mais transparente.

Princípios para o Investimento Responsável (PRI)

Como o nome sugere, essa iniciativa aponta diretrizes, baseadas na agenda de sustentabilidade global, para ajudar empresas a incluírem os princípios de ESG na hora de analisar e realizar investimentos.

Criado em 2005, o PRI também funciona com adesão voluntária e já conta com milhares de empresas signatárias, que, juntas, gerenciam mais de 100 trilhões de dólares em ativos.

Sustainability Accounting Standards Board (SASB)

De certa forma, o Conselho de Padrões Contábeis de Sustentabilidade lembra um pouco o GRI, no sentido de ajudar na divulgação de informações sobre sustentabilidade corporativa de negócios para possíveis investidores.

No entanto, ao contrário da primeira, que é focada no desenvolvimento sustentável em si, esta iniciativa, criada em 2011, é mais voltada à análise de risco e materialidade em cada área específica.

Para isso, o SASB utiliza 26 indicadores, que são separados por cinco temas principais:

  • Liderança e Governança
  • Modelo de Negócio
  • Inovação e Meio Ambiente
  • Capital Humano
  • Capital Social.

Qual a relação entre ESG e greenwashing?

Para tentar mascarar relatórios e ter números positivos de ESG, algumas empresas se valem de um artifício chamado greenwashing, ou “maquiagem verde”.

Baseado na falta de transparência na divulgação de informações, a empresa disfarça determinados dados para passar uma falsa ideia de responsabilidade ambiental.

Com isso, tenta enganar seus clientes e atrair investidores.

Apesar de recorrente, essa prática nociva está cada vez mais com seus dias contados.

Isso porque foi criado recentemente na Europa, e com tendência de se espalhar ao redor do mundo, o Sustainable Finance Disclosure Regulation (SFDR) ou o Regulamento de Divulgação de Finanças Sustentáveis.

A ideia é fiscalizar melhor as práticas de ESG nas empresas e em suas aplicações de modo a evitar a disseminação de notícias falsas em qualquer tipo de material de publicação.

ESG e sustentabilidade: quais as diferenças?

Muita gente acaba confundindo ESG e sustentabilidade, o que é natural, porque são assuntos fortemente relacionados.

Na prática, podemos estabelecer algumas diferenças que vão ajudar na compreensão de cada termo individualmente.

O primeiro ponto que podemos trazer é que sustentabilidade é um conceito mais amplo do que ESG.

Isso porque envolve uma análise complexa e sistêmica, que inclui medidas práticas e que vão muito além de somente tentar diminuir os impactos ambientais, por exemplo.

Já o ESG traz critérios mais objetivos, que ajudam a qualificar as possibilidades de investimento.

Em linhas gerais, podemos dizer que as companhias precisam dos ESG para assegurar a sustentabilidade em suas operações.

Da mesma forma, a sustentabilidade é imprescindível para que as diretrizes ESG, que balizam o desempenho das empresas, tenham um parecer favorável aos investidores.

Além disso, é possível concluir que a sustentabilidade possui uma orientação de fora para dentro, olhando pelo viés da empresa, uma vez que ela se conecta às mais diferentes demandas de uma sociedade.

Os ESG, por outro lado, são orientados de dentro para fora, pois sua atuação é no sentido de mitigar os impactos das ações da empresa e das operações da sua cadeia produtiva.

Exemplos de empresas ESG

Para reforçar que ESG é a sigla do momento, mais e mais empresas estão sendo criadas para desenvolverem soluções nas áreas ambiental, social e de governança.

As chamadas “ESG techs” já são mais de 700 somente no Brasil, segundo o Inside ESG Tech Report, relatório feito pela Distrito Dataminer.

Separamos três das startups mais inovadoras para observarmos em detalhes – cada uma delas focada em um dos pilares da ESG.

Confira:

Egalitê

Com foco na área de governança, uma vez que estimula a diversidade dentro das organizações, a Egalitê é um startup que ajuda pessoas portadoras de deficiência a serem inseridas no mercado de trabalho.

Além disso, também cobra as empresas a cumprirem a lei de cotas para essa categoria.

Criada em 2009, essa ESG tech conta uma plataforma que colabora para a criação de um setor de recursos humanos mais inclusivo para PCD, por meio da desburocratização de processos.

Moss.Earth

É uma ESG Tech que desenvolve ações na área ambiental, com o intuito de diminuir os impactos causados pelas empresas.

Fundada em 2020, a Moss.Earth desenvolveu um método de neutralização de danos através da compra de créditos de carbono.

Nesse sistema de compensação, todo o dinheiro arrecadado com a compra de créditos é repassado a iniciativas sustentáveis.

Zenklub

Atendendo ao último pilar do ESG, a Zenklub é uma startup focada no desenvolvimento de soluções voltadas para a área social.

Criada em 2016, a empresa oferece serviços de bem-estar e saúde emocional aos colaboradores das empresas, como terapeutas e psicólogos, além de conteúdos personalizados, como guias e tutorial de exercícios.

Cursos na área de ESG

Outra demonstração de que ESG é um assunto que veio para ficar é que estão surgindo diversos cursos e conteúdos sobre o tema, focados em diferentes áreas.

Na Fundação Instituto de Administração (FIA), você encontra uma série de possibilidades, desde cursos de extensão e pós-graduação.

Conheça mais detalhes dos cursos de ESG e Sustentabilidade da FIA.

O que são os fundos de investimento ESG?

ESG o que sao os fundos de investimento
O que são os fundos de investimento ESG?

Fundos de investimento ESG são aplicações financeiras que apostam em organizações focadas na sustentabilidade, que cumprem com os critérios determinados pela métrica ESG – Ambiental, Social e de Governança corporativa.

Na prática, sua base é semelhante à dos demais fundos de ações, mas a lógica de escolha das empresas que compõem as carteiras ESG considera cada um dos três pilares explicados acima, dispensando as companhias que não cumprem com essas premissas.

Assim, ainda que uma fabricante de cigarros eleja um Conselho de Administração neutro e inclua medidas de transparência a respeito de suas finanças, ela não poderia compor um fundo de investimento ESG.

Isso porque sua atividade produtiva está relacionada a efeitos adversos para a saúde dos clientes – pois fumar provoca câncer e outras doenças -, o que prejudica o pilar Social.

Nesse caso, o Ambiental também fica comprometido, por exemplo, pela fumaça gerada pelo cigarro, que contribui com a poluição do ar.

Seguindo o mesmo raciocínio, uma fabricante de roupas que trabalhe com tecidos ecológicos, energia limpa, qualidade de vida para os funcionários e prestação de contas à sociedade tem altas chances de integrar um fundo de investimento ESG.

Fundos ESG no Brasil

Fundos ESG estão em franco crescimento pelo mundo, tendo alcançado a marca de US$ 1 trilhão em patrimônio no segundo semestre de 2020, de acordo com o relatório Melhores Fundos, divulgado pela Exame Research.

O valor representa um salto de 25% no período, quase duas vezes o rendimento do mercado em geral, que cresceu em torno de 13%.

Em território nacional, esse tipo de fundo de ações ainda não tem fatia expressiva, contudo, vem se expandindo rapidamente.

Para se ter uma ideia, entre julho de 2019 e julho de 2020, os fundos ESG se expandiram 26% no Brasil, ainda segundo a Exame Research.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revelam que os fundos descritos como Ações Sustentabilidade/Governança (indicativo do ESG) acumularam um patrimônio de R$ 543,1 milhões no país até 2020.

Sua expansão não acontece por acaso, já que a performance das empresas sustentáveis tem se mostrado superior quando comparada aos negócios que não se atentam a questões socioambientais e de governança.

Um levantamento da gestora de fundos BlackRock evidenciou que 94% dos investimentos que seguem as premissas ESG apresentaram um desempenho superior a seus pares em 2020, mesmo em meio à crise desencadeada pela pandemia de Covid-19.

Quais os motivos pelos quais o mercado valoriza os investimentos sustentáveis?

ESG mercado valoriza investimentos sustentaveis
Quais os motivos pelos quais o mercado valoriza os investimentos sustentáveis?

Ainda que, no Brasil, a importância que se dá aos investimentos sustentáveis ainda não seja tão grande em outros lugares do mundo, sobretudo na Europa, é inegável que o mercado já começa a olhar com outros olhos para empresas que investem em ESG.

Afinal, quem não quer ajudar a promover organizações que estão preocupadas em construir um mundo melhor para o presente e para as gerações futuras?

Isso tudo, aliado à promoção de temas importantes, como diversidade, inclusão, qualidade de vida, ética e consciência ambiental, forma um conjunto de razões que têm ajudado a promover esse tipo de ativo.

Quais são os principais índices ESG na B3?

Os ESG são tipos de ETF (Exchange Traded Fund), ou seja, fundos de ações que usam índices de bolsas de valores como referência.

No caso dos ESG negociados em território nacional, as transações referentes a eles são realizadas no âmbito da B3 (Brasil, Bolsa Balcão) – que é a maior bolsa de valores da América Latina.

Na B3, os principais ESG encontrados atualmente são:

  • Índice Carbono Eficiente (ICO2)
  • Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)
  • Índice de Governança Corporativa (IGCT)
  • Índice S&P/B3 Brasil ESG.

A seguir, falamos mais sobre eles.

Índice Carbono Eficiente (ICO2)

Por meio do Índice Carbono Eficiente (ICO2), a B3 demonstra quais empresas trabalham para diminuir o CO2 lançado na atmosfera.

De acordo com o site da bolsa de valores:

“A adesão das companhias ao ICO2 demonstra o comprometimento com a transparência de suas emissões e antecipa a visão de como estão se preparando para uma economia de baixo carbono.”

As emissões de carbono são um dos principais vilões que contribuem para o aumento do efeito estufa, culminando no aquecimento global e desequilíbrio no clima em diversas regiões do planeta.

O tema é tão importante que compõe as metas traçadas para que o Brasil cumpra o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13: Ação Contra a Mudança Global do Clima.

Lembrando que os ODS são parte da Agenda 2030, um compromisso mundial assumido por vários países durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, em 2015.

Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)

Criado em 2005, o ISE resulta de uma análise ampla sobre o nível de adoção de práticas sustentáveis pelas empresas, comparando seu desempenho em 7 dimensões:

  1. Econômica-Financeira
  2. Geral
  3. Ambiental
  4. Governança Corporativa
  5. Social
  6. Mudança do Clima
  7. Natureza do Produto.

Assim, companhias que compõem a carteira ISE apresentam uma performance diferenciada quanto à sua eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa, atendendo aos princípios ESG de forma completa.

Índice de Governança Corporativa (IGCT)

Como o nome sugere, o IGCT se dedica a avaliar e evidenciar as companhias que seguem boas práticas na área da governança, contemplando princípios éticos e transparência na relação com funcionários, clientes e investidores.

Índice S&P/B3 Brasil ESG

Operado pela B3, o Índice S&P/B3 Brasil é um dos primeiros indicadores do mundo a considerar a sustentabilidade como um critério de investimento.

A ferramenta ajuda a analisar a performance sustentável corporativa a partir de quatro pilares:

  • Governança corporativa
  • Justiça social
  • Eficiência econômica
  • Equilíbrio ambiental.

Quais são as características dos fundos ESG?

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Esses fundos de ações oferecem características interessantes para investidores que desejam diversificar a carteira sem comprometer valores elevados.

Além, é claro, de atender à demanda pela preservação do planeta, sem deixar a rentabilidade de lado.

Veja, abaixo, três características comuns aos ESG funds – como são chamados no exterior.

Negócios sustentáveis

Mais que uma tendência, a sustentabilidade tem a ver com a perenidade e a lucratividade dos negócios atualmente.

É por isso que muitas organizações vêm superando o modelo de economia linear, baseado na exploração irresponsável dos recursos ambientais, para aderir a modelos que lhes permitam crescer em harmonia com a natureza.

Têm, também, dedicado maior atenção às pessoas e a processos de governança, elevando sua eficiência ao criar soluções melhores usando menos recursos.

Menor volatilidade

Como um tipo de ETF, o ESG tem exposição indireta ao mercado de ações, possibilitando o investimento em uma série de empresas a partir de um mesmo valor.

Essa característica diminui a volatilidade dos recursos, oferecendo maior estabilidade ao combinar diferentes rendimentos.

Em geral, existem ações mais voláteis junto a outras menos voláteis, então, as perdas costumam ser compensadas pelos ganhos.

Rentabilidade com bom desempenho

Se as organizações focam em um propósito, priorizando pessoas e causas ambientais, não significa que o lucro está em segundo plano.

Pelo contrário. Nos últimos anos, quem investiu em ESG obteve um retorno interessante, pois essas empresas estão crescendo ao otimizar seus processos e construir uma imagem positiva perante o consumidor.

Portanto, os fundos ESG são uma boa opção para obter ganhos com renda variável.

Óbvio que o lucro não é garantido, pois as oscilações e riscos são inerentes ao mercado de ações.

Como funcionam os investimentos em fundos ESG?

Para investir em ESG, deve-se contatar uma instituição financeira (corretora de valores ou banco), o que permite a compra e venda de ações na bolsa de valores.

Ao escolher esse fundo de ações, cada investidor disponibiliza um valor que lhe dá direito a uma ou mais cotas das empresas que compõem a carteira, e seu retorno será proporcional ao que foi aportado.

Um gestor fica responsável pelo fundo ESG, realizando as movimentações necessárias para diminuir riscos e/ou aumentar os ganhos dos investidores.

Como é feita a seleção das empresas com fundos ESG

Selos verdes e outros reconhecimentos concedidos por certificadoras podem ajudar na seleção das companhias que compõem fundos ESG, assim como uma análise minuciosa de suas atividades, balanço e projeções.

Mas vale lembrar que a seleção para os fundos ESG depende do índice escolhido para avaliação, mas sempre dá preferência a negócios de sucesso nas esferas de governança, ambiental e/ou social.

Embora algumas empresas escolhidas possam se destacar em apenas um dos pilares ESG, é comum que adotem estratégias amplas para elevar a eficiência.

Em outras palavras, ao incluir uma cultura de diversidade, por exemplo, uma organização logo vai perceber a necessidade de ações na esfera da governança para melhorar a comunicação interna e conscientizar os colaboradores.

Uma vez que todos aprendam a respeitar diferentes pontos de vista, o elemento ambiental também pode entrar na conversa.

A FIA realizou um webinar sobre os desafios para a prática de ESG. Confira aqui.

Qual a importância de investimentos ESG?

A partir do momento em que os investimentos ESG começam a ganhar espaço no mercado financeiro, ocorrem mudanças significativas que impactam a lógica das aplicações.

Novos valores passam a ser priorizados cada vez mais.

Em 2020, Larry Fink, CEO do gigantesco fundo de investimento Blackrock, informou aos seus clientes em uma carta que a sustentabilidade passava a ser o centro das suas estratégias de investimento.

Ele anunciou uma série de iniciativas, como:

  • Deixar de investir em empresas que afetam a sustentabilidade, como produtores de carvão para termelétricas
  • Lançar novos produtos de investimento que filtrem combustíveis fósseis
  • Fortalecer o compromisso com a sustentabilidade e a transparência nas atividades de gestão de investimentos.

A partir desse exemplo, que vem de uma referência dentro do mercado financeiro, mais e mais empresas têm levantado a bandeira de iniciativas ambientalmente responsáveis.

Afinal, vale a pena investir em fundos ESG?

Essa questão não tem uma resposta única, pois depende de fatores como seu perfil de investidor, propósito, objetivos e tolerância ao risco.

Como explicamos acima, os fundos ESG apoiam a sustentabilidade nas empresas, valorizando recursos naturais e humanos para construir um futuro harmônico.

Então, investir neles é uma forma de dar suporte a esse propósito.

Porém, ainda que tenham menor volatilidade que outros fundos de ações, investir em ESG não inclui certezas quanto aos ganhos.

Daí a necessidade de ter alguma tolerância a riscos antes de escolher esses fundos.

Consulte, também, informações sobre as empresas que compõem o fundo, liquidez caso você precise reaver o valor investido em um prazo curto e compare outras opções para fazer uma escolha assertiva.

O que avaliar antes de investir em fundos ESG?

No tópico anterior, mencionamos que seu propósito e perfil de investidor devem ser considerados antes de apostar em qualquer fundo de ações, incluindo o ESG.

Além disso, recomendamos que você conheça os riscos, vantagens e desvantagens de cada fundo, consultando o documento que resume suas características, chamado prospecto.

Com o prospecto em mãos, você vai saber, inclusive, qual o valor mínimo para investir, liquidez de cada opção, tributos e taxas aplicáveis e em quais períodos devem ser quitados.

Outra dica valiosa é levantar dados que te permitam antecipar cenários sobre o fundo ESG, como o histórico dos últimos meses e anos.

Quais são as tendências dos fundos ESG no Brasil e no mundo?

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Quais são as tendências dos fundos ESG no Brasil e no mundo?

A principal tendência é que os fundos ESG sigam crescendo, impulsionados pela demanda por negócios sustentáveis atualmente.

É por isso que grandes empresas como a Natura, Itaú e Raia Drogasil têm se dedicado a cumprir com os três pilares ESG, visando se manter atraentes para investidores no futuro.

Abaixo, listamos mais tendências, citadas por especialistas nesta reportagem. Confira!

  • Pressão de investidores pela preservação ambiental, em especial os mais jovens, pertencentes à geração Z
  • Associação entre risco climático e risco para investimentos, já que ambos geram perdas ao investidor
  • Construção de legislações que apoiam causas socioambientais, impulsionadas pela Agenda 2030 e órgãos da ONU.

Como fazer investimentos em ESG?

Quer alocar recursos em investimentos em ESG e ajudar a transformar o mundo em que vivemos em um lugar melhor?

Para isso, é importante ficar atento sobretudo aos índices ESG na B3 e, principalmente, às características desse tipo de fundo, que são a alta rentabilidade e a baixa volatilidade.

Ou seja, trata-se de um investimento de boa possibilidade de retorno e de risco moderado, uma fórmula considerada ideal para quem está começando no mercado financeiro.

No entanto, se você está dando os seus primeiros passos, talvez seja melhor começar investindo nos ETFs ligados a temas de sustentabilidade, em vez de partir direto para os fundos de ESG.

Para investir, você terá que abrir conta em uma corretora de valores, fazer um teste para identificar se o seu perfil é compatível com a aplicação, transferir recursos e solicitar o investimento.

Hoje em dia, a maioria das corretoras trabalha com plataformas modernas, que funcionam tanto em navegadores quanto em aplicativos.

Conclusão

Neste artigo, falamos sobre o conceito, critérios e tendências a respeito de investimentos ESG (Environmental, Social and Governance).

Se você se identificou com as causas apoiadas por esse tipo de fundo, quer diversificar a carteira ou começar a investir na bolsa de valores, essa pode ser uma boa escolha.

Você também pode aprofundar os conhecimentos para escolher os melhores investimentos, descobrir seu perfil de investidor e correr riscos calculados para elevar as receitas.

Lembrando que a Fundação Instituto de Administração (FIA) oferece cursos em Sustentabilidade e ESG. Confira!

Achou este artigo útil? Então, compartilhe com seus contatos.

Navegue pelo blog da FIA para seguir aprendendo sobre temas de interesse público, empreendedorismo e gestão empresarial.

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