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Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas

Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas

Nos últimos anos, o termo compliance tem ganhado cada vez mais destaque na imprensa nacional e internacional.

A aplicação de uma política organizacional alinhada aos interesses da sociedade nunca esteve tão em alta.

Isso acompanha a preocupação crescente das empresas com a correção e a austeridade de suas ações.

Ou seja, algo que transcende o aspecto operacional e invade os campos ético e moral.

Por meio de uma política de gestão de riscos, o compliance visa a garantir um menor grau de exposição para a empresa.

O estabelecimento de um código de conduta, que deve ser o patamar para a atuação de toda a organização, serve também para reduzir a incidência de fraudes e desconformidades com a legislação vigente.

Isso tudo se traduz em maior eficiência, já que um aumento na qualidade das decisões faz com que a instituição opere com maior credibilidade e menores custos operacionais.

Para avançarmos no conceito e sua importância, preparamos um artigo completo, que vai abordar os seguintes tópicos:

  • O que é compliance e gestão de riscos?
  • Quais os pilares do compliance?
  • Qual a importância do compliance?
  • Principais benefícios do compliance
  • Quais os tipos de compliance?
  • Como surgiu o compliance?
  • O que faz a área de compliance?
  • O que é um programa de compliance?
  • O que são os níveis de compliance?
  • Como implantar o compliance nas empresas?
  • Exemplos de compliance na prática
  • Qual a importância do compliance na administração pública?
  • Qual a diferença entre compliance e auditoria?
  • Ética e compliance
  • Lei anticorrupção e compliance
  • A relação entre compliance e LGPD
  • O que faz um analista de compliance?
    • Analista de compliance: salário
    • Vagas na área de compliance
  • Existe algum curso na área de compliance?
    • Pós-graduação em compliance
    • MBA compliance.

Quer saber tudo sobre compliance? Então, siga a leitura!

O que é compliance e gestão de riscos?

Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas
O que é compliance e gestão de riscos?

Com origem no inglês, a palavra compliance significa, em tradução livre, “estar em conformidade com”, “obedecer”, “concordar”.

Neste caso, é o mesmo que se comprometer com a integridade na tomada de decisões diária.

Uma gestão pautada pelo compliance deve ser marcada pela transparência e ética, o que por si só resulta em menores riscos.

Isso porque é muito mais difícil ser punido por transgredir uma legislação que é levada em conta e respeitada em todas as ações.

Ou seja, a melhor forma de evitar a punição é não cometer o crime.

No mundo corporativo, o compliance das grandes instituições pode ser destrinchado em três níveis para melhor compreendermos a sua aplicação: gestão de riscos, governança corporativa e gestão de processos e negócios.

Vamos, agora, avançar individualmente sobre cada um desses conceitos.

Gestão de Riscos

Esse nível engloba tudo que está relacionado aos riscos que podem ameaçar a prosperidade de um negócio no longo prazo.

À gestão de riscos não compete apenas a identificação de eminências potenciais, mas também exige uma postura resolutiva.

Segundo a ISO 31.000, esse é um processo que deve proteger e gerar valor para a empresa.

Ele é composto por quatro fases: identificação, avaliação, mitigação e monitoramento.

Governança Corporativa

Essa é a parte mais “executiva” do sistema, por assim dizer.

A governança serve para estabelecer as regras do compliance, as quais devem guiar a atuação da instituição com seus clientes e pares.

Idealmente, o sistema deve ser composto pelo conselho de administração, conselho consultivo, comitê de funcionários, comitê de clientes e diretoria executiva.

Gestão de Processos e Negócios

Por fim, mas não menos importante, temos a gestão de processos e negócios.

Estabelecidas as regras com a governança corporativa e cumprida a gestão dos riscos, é preciso otimizar os processos e garantir que cada colaborador domine sua função para que a empresa rode alinhada ao compliance.

Aqui, entram em pauta questões de produtividade, identificando gargalos e desperdícios.

É preciso garantir que a empresa esteja entregando valor aos clientes finais sem custos desnecessários.

Quais os pilares do compliance?

Um programa de compliance deve ser sustentado por alguns pilares sobre os quais os mecanismos de controle, detecção e prevenção de fraudes e irregularidades se apoiam.

A seguir, confira alguns pilares compilados a partir das regras do Decreto 8420/15:

Comprometimento da alta direção da empresa

A mudança deve começar de cima.

Sem a adesão e o comprometimento dos executivos da empresa, incluindo os conselheiros, não é possível implantar uma política interna de compliance.

Ao apoiar o programa, a alta direção dá o exemplo e estimula a adesão dos demais membros da organização.

Métodos de avaliação de riscos

As empresas correm diferentes tipos de riscos, tanto econômicos quanto regulatórios ou de reputação.

No contexto do compliance, os riscos estão relacionados aos prejuízos causados pelo não cumprimento de regras legais e normas éticas, tanto internas quanto externas.

Um bom programa de compliance deve contemplar métodos de avaliação que mapeie a natureza e a extensão dos riscos aos quais a organização está exposta.

Esse método tem um nome: Compliance Risk Assessment (CRA), um roteiro que deve ser executado periodicamente pelo compliance officer e pela alta liderança.

Implantação de política de compliance e código de condutas

Os padrões de conduta, que incluem política de integridade e transparência, devem ser estabelecidos em um documento formal, estendido inclusive a terceiros.

Além de manter a conformidade legal, o código de conduta contribui com a criação de uma cultura organizacional íntegra que estimula comportamentos éticos.

Conforme o Decreto nº 8.420/15, empresas que adotam programas de integridade podem ter multa reduzida em eventuais condenações resultantes de processos administrativos.

Controle interno

Diversos instrumentos de controle interno podem ser adotados a fim de evitar a ocorrência de eventos que possam materializar um risco, seja ele regulatório ou de reputação.

A partir dos mecanismos de controle, os gestores acompanham a rotina da empresa perante as obrigações externas e o próprio código de conduta.

Nesse aspecto, a tecnologia pode ser útil.

Por meio de sistemas informatizados, o controle interno pode coletar e processar informação em tempo real sobre as diversas áreas de atuação da empresa.

Comunicação e treinamento

Um programa de compliance não terá efetividade sem comunicação e treinamento.

Todos os colaboradores da empresa devem entender as regras e saber o seu papel no cumprimento delas.

A ideia é criar uma cultura organizacional orientada para as conformidades legais e éticas.

Deve refletir na rotina de cada membro da organização.

Para tanto, os treinamentos precisam ser periódicos, a fim de garantir a adaptação e o aprimoramento do programa e fazer ajustes quando necessário.

Canais de denúncia

Mesmo que uma empresa tenha um programa que usa inteligência artificial para patrulhar diferentes setores da organização, podem ocorrer desvios de conduta imperceptíveis ao sistema.

Os canais de denúncia, nesse caso, são um mecanismo que ajuda no controle e na identificação de eventuais problemas de compliance.

Os canais devem ser abertos aos colaboradores e a terceiros, e precisam garantir a proteção dos denunciantes.

Investigação interna

Caso seja captado algum desvio que viole o programa de compliance, a empresa deve proceder imediatamente uma investigação interna.

O objetivo é interromper as irregularidades encontradas ou infrações detectadas e tomar as medidas cabíveis.

Due diligence

O due diligence (diligência prévia) consiste na avaliação de organizações que tenham algum vínculo com a empresa em casos de terceirização, consórcios, joint venture, etc.

É um processo muito comum em operações de Mergers and Acquisitions (M&A), ou fusões e aquisições.

A ideia é investigar as condições precedentes de um negócio e avaliar se vale ou não a pena seguir com a negociação.

Auditoria e monitoramento

Por fim, através da auditoria e do monitoramento constante, o programa de compliance tem condições de manter o negócio dentro dos limites da lei e em conformidade com o código de conduta.

A partir do monitoramento contínuo, fica mais fácil aperfeiçoar os métodos de prevenção, detecção e combate às irregularidades que possam prejudicar a empresa, tanto do ponto de vista econômico quanto de reputação.

Qual a importância do compliance?

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Qual a importância do compliance?

Como já destacado, o compliance tem se tornado muito importante em um contexto no qual há cada vez menos tolerância com a corrupção.

O Brasil é, talvez, um dos melhores exemplos nesse sentido.

Basta estar atento ao noticiário nos últimos anos para encontrar referências e diversas empresas citadas em escândalos de corrupção.

Apenas a Petrobras espera recuperar mais de R$ 40 bilhões no âmbito da Operação Lava-Jato – valor esse que corresponde aos prejuízos acumulados sobre a companhia em razão de práticas fraudulentas.

Mas não se pode cometer o erro de acreditar que a necessidade do compliance é restrita ao Brasil.

Relatório (em inglês) divulgado pela Associação de Examinadores Certificados de Fraudes (ACFE, na sigla em inglês) aponta que, em todo o mundo, em 2018, apenas 15% de todos os casos de fraudes em empresas foram detectados por processos internos de auditoria.

A maioria das descobertas está ligada a denúncias de colaboradores (40%), o que revela grande oportunidade para programas de compliance no enfrentamento do problema.

Além disso, em média, os entrevistados pela entidade afirmaram acreditar que até 5% do faturamento das empresas é desperdiçado anualmente em casos de fraude.

Ao considerar o PIB global, a ACFE concluiu, então, que as perdas por essa causa poderiam chegar a incríveis US$ 4 trilhões.

Tais dados são definitivos para atestar a importância do compliance.

Mas há outros aspectos a considerar nessa análise.

Em um mundo cada vez mais conectado, a falta ou deficiência no controle da empresa pode resultar no vazamento de informações confidenciais.

Por isso, a questão do armazenamento em cloud computing (em nuvem, de forma remota) deve ser avaliada dentro da gestão de riscos, parte integrante de uma política de compliance bem-feita.

Quando falamos em “ser” ou “estar” em compliance, isso vai além de manter prazos e entregar um produto que esteja de acordo com o que foi anunciado.

O risco de atuar sem compliance é grande, podendo acarretar sanções legais ou financeiras à instituição.

Esse tipo de conduta, em última instância, pode extinguir uma organização, seja pelos altos custos das multas e penas impostas, seja pela perda total de sua reputação.

Principais benefícios do compliance

Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas
Principais benefícios do compliance

O compliance delimita as práticas e ações que estão alinhadas aos valores da empresa.

Tais práticas devem estar explicitadas em algum documento oficial voltado para o combate à corrupção, como um código de conduta ou uma política da companhia.

A principal e mais óbvia vantagem de se adotar um compliance é preservar a integridade civil e criminal dos membros da administração, demais colaboradores e até da própria empresa.

Mantendo as práticas dentro da regularidade, a organização se afasta de problemas com a lei.

Isso acarreta em um aumento de eficiência, já que os gestores da empresa em compliance passam a tomar decisões com mais qualidade, reduzindo custos operacionais.

Existe também um ganho de produtividade em organizações que têm um código de ética bem estabelecido entre os colaboradores.

Esse alinhamento de todos em volta de uma ética forte aumenta o sentimento geral de satisfação.

E se há algo em que a teoria e a prática concordam é que pessoas satisfeitas trabalham melhor.

Como exemplo, podemos citar o estudo da Universidade de Warwick, no Reino Unido, que descobriu que colaboradores felizes produzem 12% mais.

Nesse sentido, os números apontam que empresas com um compliance forte adquirem vantagem competitiva ao oferecer uma cultura organizacional capaz de reter colaboradores talentosos e fidelizar os clientes.

Quais os tipos de compliance?

No Brasil, as instituições financeiras foram as primeiras a inserir programas de compliance nos planos estratégicos.

Com o tempo, organizações de outros setores também passaram a adotar iniciativas de conformidade, seja por exigência regulatória ou por necessidade de mercado.

Atualmente, os principais tipos de compliance são:

Compliance tributário

Trata-se de um conjunto de regras internas que tem como objetivo garantir a conformidade das empresas perante a legislação tributária.

Engloba tanto as obrigações tributárias principais (relacionadas ao correto pagamento dos tributos), quanto as acessórias (relatórios detalhados das atividades tributárias).

Além de garantir o cumprimento das obrigações perante os órgãos governamentais, o compliance tributário evita o pagamento desnecessário de impostos, tornando a empresa mais competitiva.

Compliance empresarial

O compliance pode ser adotado por diferentes organizações: governos, ONGs, associações e empresas.

O compliance empresarial, portanto, é o conjunto de regras cujo propósito é manter a empresa em conformidade com as regras legais e boas práticas.

Empresas que criam programas de compliance conquistam a confiança do investidor, têm credibilidade no mercado, evitam ações judiciais e criam um ambiente saudável para se trabalhar.

Saiba mais sobre a importância do compliance na gestão empresarial nessa palestra no canal da FIA no YouTube.

Compliance fiscal

O compliance fiscal é o conjunto de regras que tem como objetivo adequar a empresa às normas fiscais vigentes. Tem relação direta com o compliance tributário.

Enquanto o setor tributário cuida da apuração e recolhimento dos tributos e das obrigações acessórias, o departamento fiscal cuida de toda escrituração fiscal e inserção de dados no sistema de gestão.

Tanto o compliance fiscal quanto o tributário visam a garantir a conformidade perante o Fisco, evitando prejuízos com pagamento indevido de impostos ou multas por erros e atrasos.

Compliance trabalhista

Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas
Compliance trabalhista

Do recrutamento à eventual demissão, as empresas precisam manter todos os aspectos trabalhistas dentro da legalidade para evitar dores de cabeça com processos judiciais.

Com o compliance trabalhista, é possível estabelecer um conjunto de normas e condutas que garantem o cumprimento das leis, dos acordos coletivos e do plano de cargos e carreiras.

Além de observar a legislação, o compliance trabalhista deve abranger também temas como segurança do trabalho, promoção e integração, respeito à diversidade, dentre outros aspectos.

Saiba mais sobre compliance trabalhista nesta palestra publicada no canal da FIA no YouTube:

Compliance socioambiental

A legislação ambiental no Brasil prevê penalidades administrativa, civil e penal para quem degrada o meio ambiente.

Além das sanções cabíveis, empresas que não cumprem a lei também são mal vistas pelos investidores e consumidores.

Diante disso, estar em conformidade com as regras ambientais e desenvolver políticas que valorizem a comunidade local são atribuições do compliance socioambiental.

Trata-se de um conjunto de regras que garantem o cumprimento da lei e o comprometimento da organização com a agenda ESG.

Como surgiu o compliance?

Apesar de o termo ter ganhado notoriedade nos últimos anos, muito em razão das denúncias envolvendo empresas brasileiras, o conceito de compliance é antigo e já vem sendo aplicado há muitas décadas.

A data exata de sua origem é motivo de debate, mas muitos autores tomam o ano de 1930 como um marco regulatório para as práticas de compliance.

Nessa data, foi realizada a chamada Conferência de Haia.

O evento, que estabeleceu o Bank for International Settlements (BIS), espécie de instituição de pagamento e compensações internacionais, tinha o objetivo de delimitar as interações entre os bancos centrais, tornando suas atividades mais seguras e confiáveis.

Para que houvesse um relacionamento ético entre instituições que respondem a diversos estados e legislações variadas, era preciso contar com um código ético que pudesse equalizar essas diferenças.

Foi com isso em mente que, em 1960, a Comissão de Títulos e Câmbios dos Estados Unidos passou a divulgar uma orientação oficial.

Seu objetivo? Que as empresas dispusessem de um compliance officer – profissional capacitado para criar procedimentos internos de controle, monitoramento e mitigação de atividades suspeitas.

O que faz a área de compliance?

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O que faz a área de compliance?

O cenário político no Brasil, especialmente após a aprovação da Lei 12.846/13, conhecida como Lei Anticorrupção, tornou ainda mais evidente a necessidade de um profissional especializado em compliance, em especial nas grandes empresas.

A legislação as obriga a propor políticas internas de controle bastante rígidas sobre quaisquer possibilidades de fraudes, desvios ou atos de corrupção.

É justamente o que faz a área de compliance e, em consequência, um profissional que atua nela.

Sua responsabilidade aparece tanto na elaboração quanto na execução das normas da empresa, além de ser de sua competência a divulgação de informações e o incentivo para que executivos e colaboradores respeitem os regulamentos.

O principal desafio da área de compliance, então, é criar na organização um ambiente em que nenhuma modalidade de fraude prospere.

Apesar de ser uma área que lida diretamente com legislação, não existe no Brasil qualquer regulação que restrinja a advogados ou graduados em Direito a atuação como profissional de compliance.

De fato, indivíduos de diversas formações podem alcançar o sucesso na função, desde que estejam preparados tecnicamente e contem com as habilidades exigidas para o posto.

Esse profissional deve ter uma ética resiliente, capaz de sobressair em situações adversas.

Também é desejável uma boa comunicação e diplomacia, de maneira a transmitir os valores da empresa para todos os colaboradores e mediar possíveis conflitos na sua gestão.

Some a isso ter conhecimento amplo da legislação que compete à instituição.

Assim, o compliance officer deve ter um entendimento completo da cultura da empresa, sendo capaz de apontar gargalos e deficiências do processo.

O que é um programa de compliance?

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O que é um programa de compliance?

Agora que você já entendeu a origem do conceito e seus benefícios, está na hora de falarmos mais especificamente sobre como instituí-lo dentro de uma organização.

Na prática, as atividades de uma empresa que deseja atuar dentro da regularidade seguem um programa de compliance.

Esse programa é definido como um conjunto de procedimentos para cumprir regras internas e externas.

Sua redação deve ser quase como um passo a passo do que deve ou não ser feito pela diretoria e demais colaboradores.

Em seu conteúdo, o programa deve atender também às exigências normativas e técnicas do segmento atendido.

É importante que a política da organização contemple a prevenção dos riscos operacionais, mas também a gestão dos riscos já existentes, identificando possíveis erros que tenham sido cometidos e apresentando soluções eficazes para cumprimento em um prazo hábil.

O que são os níveis de compliance?

A questão não se resume a ter ou não compliance.

Existem diferentes níveis que servem para separar uma organização que está completamente alinhada às práticas legais daquela que corre riscos por não ter nenhum programa oficial de gestão de riscos.

Nesta cartilha sobre as funções do compliance, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) classifica quatro diferentes níveis de aplicação do conceito.

Vamos nos apoiar nessa informação para apresentar os diferentes níveis de abordagem antifraude nas empresas.

1. Ser compliance

Quando uma instituição ou seus colaboradores “são” compliance, significa que estão todos alinhados com as normas da organização e orientados oficialmente a agir de acordo com a ética e idoneidade que devem ser marcas da empresa.

2. Estar em compliance

Quando se “está” em compliance, isso diz respeito não só às normas internas da instituição, mas também à legislação a qual a empresa responde.

Afinal, é preciso estar em conformidade não apenas com regulamentos internos, mas também externos.

3. Ser e estar em compliance

Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas
3. Ser e estar em compliance

Quem “é” e “está” em compliance está agindo de acordo com as normas internas da empresa e com a legislação.

Essa definição diz mais respeito à postura individual dos trabalhadores de todos os níveis da instituição do que à organização em si.

Ter um time que é e está em compliance é resultado direto de um programa de compliance bem estruturado.

4. Risco de compliance

Por fim, temos a classificação de “risco de compliance”, que nada mais é do que uma ausência total de qualquer política de gestão de riscos.

A organização que trabalha em risco de compliance está sujeita a sanções legais, perdas financeiras e de reputação, como já destacamos ao longo do artigo até aqui.

Como implantar o compliance nas empresas?

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Como implantar o compliance nas empresas?

É função da alta administração dar o pontapé inicial para a implantação de um programa de compliance.

O primeiro passo é buscar um profissional dentro ou fora da diretoria que tenha as habilidades desejáveis para a função.

Essa pessoa deve ser diplomática e se mostrar capaz de dialogar com os diferentes setores da organização, sem abrir mão da ética na tomada de decisões.

Se não houver nenhum colaborador com esse perfil dentro da organização, talvez seja o caso de abrir um processo seletivo externo para buscar um compliance officer.

Após selecionado, o responsável pela área deve realizar uma análise de riscos para entender quais serão os desafios de implantar um programa de compliance na organização naquele momento.

A partir disso, ele vai montar um plano de ação para que a transição seja feita da melhor forma possível.

Paralelo à formulação de um código de conduta, o compliance officer deve manter uma gestão de riscos das práticas do dia a dia, além de um trabalho de conscientização dos diretores e demais colaboradores sobre a importância de ser e de estar em compliance.

Exemplos de compliance na prática

Falamos anteriormente do caso da empresa que deseja transferir sua base de dados de um servidor interno para um servidor remoto – a famosa “nuvem”.

Esse é um exemplo prático de uma tomada de decisão em que ser e estar em compliance faz toda a diferença.

Isso porque um programa de compliance vai prever a gestão de riscos que a transferência de servidores pode eventualmente trazer.

Afinal, nenhuma organização quer que dados sensíveis seus e de seus clientes caiam nas mãos erradas.

Algumas ferramentas podem ser colocadas em uso para garantir que ações como a relatada acima sejam feitas da maneira mais segura possível.

Um programa de compliance bem-estruturado inicia no treinamento dos colaboradores, de maneira a garantir que todos estejam na mesma página sobre as normas internas e legislação vigente.

Os treinamentos devem estar pautados pelo código de ética da empresa e também pelas leis e normas dos países e instituições atendidos pela mesma.

Para identificar eventuais irregularidades que possam ser cometidas, é importante contar com um controle de qualidade interno, além de um serviço de auditoria especializado e sem vínculo com a empresa.

Por fim, um canal de denúncias deve ser instituído para que irregularidades possam ser comunicadas, de forma anônima, por qualquer colaborador.

Qual a importância do compliance na administração pública?

Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas
Qual a importância do compliance na administração pública?

No âmbito da administração pública, o compliance pode contribuir com o efetivo combate à corrupção, como desvio de dinheiro, fraudes em licitações, dentre outros atos ilícitos.

Na administração pública indireta, um importante instrumento jurídico nesse sentido é o Estatuto das Estatais (Lei 13.303/16).

A legislação obriga empresas públicas ou sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, a adotarem procedimentos que garantam transparência, controle interno, gestão de risco, além de canais de denúncia.

Na administração pública direta, embora não haja uma determinação legal expressa, diferentes leis (como a de improbidade administrativa e a de responsabilidade fiscal) contribuem com a implementação do compliance.

Além do mais, diferentes órgãos de controle têm recomendado a gestores públicos a adoção de medidas que garantam a transparência, a lisura e a correta aplicação dos recursos públicos.

Qual a diferença entre compliance e auditoria?

Compliance, como vimos, é o conjunto de procedimentos e regras que tem como objetivo manter a organização em linha com as normas vigentes, sejam elas legais ou internas.

Para ser bem-sucedido, um programa de compliance precisa ter a adesão de todos os colaboradores da empresa e integrar a cultura organizacional.

Já a auditoria, que pode ser interna ou externa, é um processo específico de fiscalização do cumprimento das normas às quais a empresa está submetida.

Pode ser uma auditoria oficial, como as fiscalizações da Receita Federal, ou uma auditoria interna para detecção de erros em processos.

Ética e compliance

Ética e compliance são dois conceitos interligados.

Derivada do grego “ethos”, ética significa hábito, modo de ser ou comportamento.

O código de ética editado pelas empresas é um manual de boas práticas que deve ser adotado por todas as equipes internas.

O compliance, sendo um conjunto de instrumentos que ajuda a empresa a trilhar o caminho da conformidade, vale-se do código de ética para criar e manter padrões íntegros.

Lei anticorrupção e compliance

A lei anticorrupção (Lei 12.846/13) estabelece graves penalidades administrativas e civis às empresas que praticarem atos lesivos à administração pública nacional ou estrangeira.

São casos de corrupção e fraudes em licitações e contratos, mesmo que a empresa tenha sido constituída para fins específicos e por tempo determinado.

Dentre as penalidades instituídas pela lei às empresas que praticam tais atos está multa que pode chegar a 20% do faturamento bruto do exercício anterior.

A lei anticorrupção tem relação direta com o compliance empresarial, principalmente nos casos em que empresas privadas são contratadas pelo governo para executar obras ou prestar serviço público.

A relação entre compliance e LGPD

Na era digital, em que a informação se tornou um ativo de grande valor, surge a LGPD (Lei Geral de Proteção dos Dados).

O objetivo é proteger os dados pessoais, principalmente sensíveis, e responsabilizar organizações por eventuais vazamentos.

Dentro de um programa de compliance, as empresas devem estabelecer critérios para tratar e armazenar, com o devido cuidado e segurança, dados pessoais de seus clientes e colaboradores.

Afinal, o compliance consiste em fazer o que é certo, de acordo com as determinações legais e com as boas práticas.

O que faz um analista de compliance?

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O que faz um analista de compliance?

O analista de compliance é o profissional que presta assistência na implantação e no monitoramento do programa de compliance.

Dentre suas funções, destacam-se a revisão de contratos, detecção e reporte de eventuais desvios de conformidade e acompanhamento do cumprimento de regras internas e externas.

É recomendado que o profissional tenha perfil analítico, domine o inglês, seja discreto e atento aos processos e às normas operacionais e éticas da empresa.

Analista de compliance: salário

Segundo a Catho, a média salarial do analista de compliance no Brasil é de R$ 3.796,74.

Mas, claro, trata-se de uma média.

Os valores sofrem variações conforme o tamanho da empresa, o setor no qual atua e a classificação do profissional: analista junior, pleno ou sênior.

Conforme o Guia Salarial 2020 do Instituto Robert Half, um analista sênior de compliance pode receber até R$ 15.750 numa empresa de tecnologia.

No mercado financeiro, a remuneração pode chegar a R$ 17.700.

Vagas na área de compliance

As vagas de compliance não se restringem a empresas multinacionais ou a setores altamente regulados.

Com a crescente preocupação dos gestores quanto a conformidade do negócio, empresas dos mais diversos segmentos e tamanhos, inclusive de médio porte, têm criado programas de compliance.

Dentre os setores que mais contratam, destacam-se o financeiro e o de tecnologia, mas é possível encontrar vagas até em institutos e organizações não governamentais.

Se você tem interesse na área, pode se cadastrar em sites como Catho, Empregos.com.br, Vagas.com, além de usar o Linkedin para divulgar suas competências, experiências e objetivos profissionais.

Existe algum curso na área de compliance?

Sim, aqui mesmo na FIA você pode se matricular em cursos de compliance, tanto de curta duração quanto de pós-graduação e MBA.

Pós-graduação em compliance

O curso de pós-graduação em Gestão de Riscos, Fraudes e Compliance da FIA é destinado a profissionais das áreas de administração, economia, engenharia, tecnologia da informação, dentre outros.

Aborda disciplinas como: Técnica de Detecção de Fraudes, Tratamento e Resposta à Fraude Corporativa, Análise de Dados, Estudos Dirigidos, dentre outras.  

MBA compliance

A FIA oferece também o MBA Gestão de Riscos de Fraudes e Compliance, um curso destinado a profissionais que atuam em diversas áreas como: jurídica, financeira e auditoria.

A matriz curricular abrange desde conceitos de finanças corporativas a criação e concepção de sistemas de compliance.

Conclusão

Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas
Compliance: pilares, tipos e como implementar nas empresas

Não é à toa que o compliance tem ganhado destaque na imprensa e dentro dos ambientes administrativos, não raro aparecendo neles como uma demanda de primeira urgência.

Seus benefícios são claros para todos que entram em contato com o conceito.

Afinal, são várias as situações prejudiciais para a organização que podem ser evitadas com um programa de compliance bem estabelecido.

Além do ganho em produtividade, há um ganho imensurável em reputação.

Em um mundo globalizado, que cada vez mais aperta o cerco contra a corrupção, o compliance repercute em maior competitividade para a empresa, que se mostra comprometida com um consumo ético e sustentável.

Dessa forma, é também uma oportunidade promissora como profissão do futuro.

Se você deseja atuar com compliance, o primeiro passo é se qualificar para tanto.

A Fundação Instituto de Administração (FIA) possui cursos de extensão no tema, além de uma pós-graduação em Gestão de Riscos de Fraude e Compliance e até mesmo um MBA na mesma área.

Visite o site para saber mais e, se desejar, faça contato conosco.

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