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Economia circular: o que é, como funciona e exemplos

Economia circular: o que é, como funciona e exemplos

A economia circular é mais do que uma tendência ou apelo pela sustentabilidade.

Nos últimos anos, essa dinâmica vem ganhando espaço em diversos projetos industriais.

Isso se deu após lideranças e autoridades se conscientizarem sobre a importância de diminuir o descarte de resíduos e a dispersão de poluentes.

Caso contrário, o prejuízo ficará com as próximas gerações, que terão de se desdobrar para obter recursos naturais que lhes permitam viver de forma digna.

Daí a importância do pensamento cíclico a respeito da produção e consumo, construindo processos focados no reuso, transformação e reciclagem.

Redução na quantidade de lixo e maior eficiência na indústria são apenas algumas vantagens que a economia circular agrega à sociedade.

Ao longo deste artigo, você vai descobrir mais benefícios e entender como funciona, além de conhecer desafios para implementação e exemplos reais de empresas que já estão ganhando com essa dinâmica.

Interessado? Então, é só seguir com a leitura.

Confira os tópicos abordados:

  • O que é a economia circular e sustentabilidade?
    • O que é uma economia linear?
  • Como funciona a economia circular?
  • Qual a importância da economia circular para o planeta?
  • Quais os princípios da economia circular?
  • Etapas da economia circular
  • Quais as consequências da implantação de uma economia circular?
    • Benefícios e potenciais impactos de uma economia circular
    • Principais desafios da implantação
  • Exemplos de economia circular em empresas no Brasil e no mundo.

Continue lendo e acompanhe tudo sobre o tema!

O que é a economia circular e sustentabilidade?

Economia circular é um conceito que enxerga a fabricação e consumo dentro de uma lógica cíclica, estendendo a vida útil dos produtos.

Essa dinâmica está intimamente ligada à sustentabilidade, uma vez que cria formas de tornar a produção mais sustentável, ou seja, menos dependente de recursos naturais para que seja conduzida com sucesso.

Segundo define Rosemary Zamataro, integrante do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema):

“Trata-se do desenvolvimento sustentável, uma época de reinvenção, de inovação. É o tempo da ‘virada’ e de pensar em novos paradigmas, ter novas percepções de produtos, pois o sistema linear desperdiça muito material rico”

De modo resumido, a economia circular propõe a utilização da matéria-prima até o seu esgotamento – ponto em que não puder mais ser transformada, reutilizada ou reciclada.

Assim, esse material estará sendo útil para a humanidade, sem recorrer ao descarte precoce e, muitas vezes, sem qualquer cuidado, que é altamente prejudicial para o meio ambiente.

O plástico, por exemplo, demora centenas de anos para se decompor.

Em vez de jogar a garrafa de plástico fora após consumir uma bebida, a economia circular faz com que esse insumo seja redirecionado para uma nova posição, começando pelo reuso para armazenar outro líquido.

Se não for possível, a garrafa pode ser enviada a uma indústria que a conserte ou recicle, mantendo-a dentro da dinâmica de consumo, sem poluir o meio ambiente.

Agora, imagine o impacto da extensão no ciclo de vida de milhares ou milhões de garrafas e outros utensílios de plástico.

Teríamos que extrair uma quantidade extremamente menor de recursos ambientais para produzir o plástico, concorda?

O efeito seria ainda melhor com uma atuação expandida para mais insumos frequentemente descartados após o uso, tais como:

  • Vidro, que chega a demorar um milhão de anos para se decompor
  • Latas de alumínio – demoram de 200 a 500 anos
  • Embalagens de papel – levam de 3 a 6 meses para desaparecer no meio ambiente.

O que é uma economia linear?

Economia linear é a dinâmica que condiciona o crescimento na produção e a eficiência a um processo fechado, em que a vida útil do material possui apenas cinco etapas:

  • Extração: quando o recurso natural é retirado do meio ambiente
  • Processamento: o recurso natural é processado para que se torne matéria-prima
  • Transformação: fase em que a matéria-prima vai para a indústria, onde é transformada em bem de consumo
  • Consumo: abrange o período em que uma ou mais pessoas adquirem o bem de consumo e o utilizam. Pode ser por alguns minutos, dias, meses ou anos
  • Descarte: ocorre quando o bem de consumo deixa de cumprir sua função ou é, simplesmente, substituído por um novo. Na economia linear, ele é descartado mesmo que ainda sirva para outros indivíduos, possa ser adaptado ou reciclado.

Predominante nos últimos séculos, o pensamento linear está por trás de muitos dos problemas ambientais que enfrentamos hoje.

A obtenção de água potável ficou mais onerosa e difícil por causa da poluição dos rios, questão que não estava em pauta para fábricas antigas que despejavam seus dejetos nas águas.

O aquecimento global e o efeito estufa, por sua vez, têm relação com os buracos na camada de ozônio, fruto da liberação de quantidades maciças de gases poluentes, como o CFC.

Portanto, não é exagero dizer que uma vida sustentável na Terra está condicionada à superação da economia linear, que deverá ser substituída pela economia circular para que os recursos naturais sejam preservados.

Esse movimento de transição já está sendo realizado por uma série de empresas, afinal, a conservação ambiental vem sendo cada vez mais exigida pelo público.

Nesta matéria publicada pelo portal Terra, o CEO da Boomera (que atua na transformação de resíduos em novos produtos), Guilherme Brammer, explica que:

“Economia circular é inverter a lógica da economia linear, que se baseia na extração, produção, uso e descarte de recursos naturais e insumos. Muito se questiona hoje sobre esse modelo. É preciso rever os lançamentos e a comercialização dos produtos. A reciclagem é uma das etapas do processo, apenas. Antigamente, uma empresa de sucesso era aquela que torcia para vender todo o seu estoque para faturar mais. Hoje, questiona-se mais a sustentabilidade da cadeia.”

Como funciona a economia circular?

Economia circular
Como funciona a economia circular?

A economia circular faz uma adequação no que seria o final do processo da economia linear, adicionando fases para estender a vida útil dos produtos.

No entanto, sua lógica começa muito antes do consumo, pois parte da consciência a respeito da importância dos recursos naturais.

Afinal, eles são indispensáveis para a vida humana e de todos os demais seres vivos do planeta, mas não são infinitos.

É preciso ter essa premissa em mente desde o design e a concepção dos bens de consumo, projetando-os para que sejam resistentes, facilmente adaptáveis e que permitam a reciclagem.

Desse modo, a adesão à economia circular fica mais simples e tangível, tanto para as organizações quanto para os cidadãos.

Aos poucos, todos se habituam à ideia de aproveitar ao máximo cada material e diminuir o lixo gerado.

Esses itens serão consumidos normalmente, porém, em seguida, passarão por processos de conserto, reuso, adequações e/ou reciclagem.

Eles só serão descartados quando não puderem mais ser reaproveitados, e de forma consciente, visando diminuir o impacto ambiental.

Qual a importância da economia circular para o planeta?

Já observamos, nas últimas décadas, que é possível levar espécies da flora e da fauna à extinção.

Um raciocínio semelhante é válido para os recursos naturais que forem apenas explorados, sem qualquer reposição ou cuidado.

Um exemplo clássico é o de um solo utilizado para o plantio de uma única cultura, sem ter seus nutrientes repostos ou períodos de descanso.

Em alguns anos, ele se torna infértil para qualquer tipo de plantação.

Na economia circular, os recursos naturais são valorizados em todas as etapas produtivas, pois o objetivo é reduzir sua extração e, por consequência, ampliar sua disponibilidade.

Essa lógica reconhece que é possível que a humanidade leve uma vida digna e confortável, com acesso a inovações tecnológicas, sem destruir o meio ambiente ou esgotar seus recursos.

Outro ponto de atenção é a diminuição dos resíduos lançados na natureza, que causam a destruição do habitat de animais, contaminam solo, atmosfera e oceanos, comprometendo a qualidade de vida de todas as espécies.

Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial já alertavam para uma produção média de 1,4 bilhão de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU), que deverá chegar a 2,2 bilhões de toneladas em 2024.

Mantendo esse ritmo, em 2050 haverá 9 bilhões de pessoas na Terra, gerando 4 bilhões de toneladas de lixo urbano todo ano.

Esses poluentes acabam provocando efeitos negativos à saúde dos próprios seres humanos, uma vez que retornam ao solo, são absorvidos por plantas e animais que servem de alimento para as pessoas.

A economia circular tem o potencial de reverter esses e outros danos ambientais, como a poluição dos rios e do solo, o aquecimento global e a derrubada de florestas.

Isso porque ela apresenta uma série de vantagens para toda a cadeia produtiva dos bens de consumo, um dos motivos pelos quais o conceito tem se tornado popular em todo o mundo.

Vamos falar mais sobre esse assunto nos próximos tópicos.

Quais os princípios da economia circular?

Economia circular
Quais os princípios da economia circular?

De acordo com a Fundação Ellen MacArthur, uma das referências no trabalho para acelerar a transição para uma economia circular, o conceito segue três princípios.

Conheça cada um deles abaixo.

1. Eliminar resíduos e poluição desde o início da cadeia produtiva

Comentamos, acima, que a lógica cíclica pode começar antes mesmo da produção de um bem de consumo, atuando em seu projeto e design para favorecer a durabilidade e as adaptações.

Essa máxima serve também para a redução de resíduos, sobras e poluição, que deve ser aplicada desde a extração e transformação do recurso natural em matéria-prima.

O propósito, além de diminuir o lixo, é acabar com os desperdícios e otimizar o uso dos recursos.

2. Manter produtos e materiais em uso

Esse princípio determina que cada material seja utilizado até quando for possível, ou seja, que sua vida útil não termina quando acabar o consumo.

3. Regenerar sistemas naturais

Através de ações contínuas e sustentáveis, os atores envolvidos na economia circular contribuem para a recuperação dos ecossistemas, trabalhando pelo equilíbrio entre a produção de insumos e a preservação do meio ambiente.

Etapas da economia circular

A economia circular está inserida no processo de fabricação de itens. Portanto, tem algumas etapas em comum com a economia linear.

Entretanto, seu formato cíclico possibilita um melhor aproveitamento dos insumos, gerando um impacto menor para a natureza.

Podemos descrever essa dinâmica em seis fases:

  1. Extração
  2. Transformação
  3. Consumo
  4. Manutenção e reparação
  5. Reutilização
  6. Reciclagem ou tratamento para descarte consciente.

Repare que as primeiras etapas são as mesmas que na economia linear, porém, costumam ser focadas na diminuição de desperdício e no reaproveitamento de materiais.

Assim, nem sempre é preciso extrair um novo recurso natural: ele pode resultar de um insumo reciclável, que é transformado em matéria-prima para um novo item.

Observe, ainda, que o consumo é seguido por manutenção e reparação, a fim de que os materiais tenham uma vida útil mais longa e possam ser reutilizados.

Na última fase, a reciclagem é a primeira opção, sendo que o descarte só acontece quando o recurso foi esgotado.

Quais as consequências da implantação de uma economia circular?

Economia circular
Quais as consequências da implantação de uma economia circular?

Apostar nesse sistema gera diversos impactos positivos, incluindo um aumento na oferta de recursos naturais e maior eficiência para empresas de todos os portes.

Começando pela extração e etapa industrial, a economia circular proporciona um efeito em cadeia, com ganhos para comércio, serviços e toda a população, como detalhamos a seguir.

Benefícios e potenciais impactos de uma economia circular

Além de reduzir a necessidade de extrair recursos naturais, essa dinâmica elimina desperdícios em toda a cadeia produtiva, representando economia para as indústrias, seus parceiros e para o cliente final.

Empresas que investem na economia circular também melhoram sua imagem perante os funcionários, consumidores e a sociedade, sendo vistas como organizações responsáveis que zelam pelo bem-estar do planeta.

Conforme pontua a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o novo modelo econômico agrega a valorização de boas práticas que aumentam a competitividade da produção nacional:

“Uma matriz energética mais limpa e renovável, por exemplo, contribui para a valorização da indústria nacional em um mercado que demanda cada vez mais sustentabilidade.”

Em 2019, a CNI divulgou uma pesquisa que ouviu 1.261 empresas industriais no país, constatando que 76% já realizam alguma atividade no âmbito da economia circular.

Por outro lado, 70% delas nunca tinha ouvido falar nesse assunto antes do levantamento, praticando as iniciativas por causa das suas vantagens.

A redução de custos foi a principal motivação citada pelos empresários (75,9%), seguida pela possibilidade de gerar empregos (60%), aumento da eficiência operacional (47,3%) e oportunidade de gerar novos negócios (22,6%).

A maioria (72,4%) dos participantes acredita que as ações ajudam a fidelizar o cliente.

Principais desafios da implantação

Implantar o modelo circular implica em uma grande mudança e rompimento de paradigmas.

Afinal, é preciso deixar de lado o conceito linear, adotado por séculos, para abraçar um novo formato na relação entre a humanidade, a produção de insumos e a natureza.

Vale lembrar que, apesar de insustentável, o modelo linear predomina até hoje em algumas nações, em especial na América do Sul.

É simples verificar esse fato, bastando observar as prioridades das companhias do continente.

Muitas ainda não manifestam preocupação ambiental ao ponto de modificar sua estrutura em prol dessa causa.

Existe, ainda, a necessidade de organizar uma estrutura que puna ou corrija a lógica linear e, simultaneamente, premie a economia circular.

Essa premissa deve estar, por exemplo, em leis e normas dos países a respeito do meio ambiente e gestão empresarial, com incentivos para as organizações que se proponham a virar a chave e adotar o modelo cíclico.

Falando especificamente do Brasil, é crítico diminuir a burocracia no setor e promover mudanças no sistema tributário, a fim de favorecer o melhor uso possível dos recursos naturais.

Exemplos de economia circular em empresas no Brasil e no mundo

Economia circular
Exemplos de economia circular em empresas no Brasil e no mundo

Agora que você já aprofundou seus conhecimentos sobre o tema, veja algumas iniciativas reais de economia circular que estão fazendo a diferença dentro das empresas.

CBPak

A visão voltada à economia circular está na raiz do negócio dessa companhia brasileira, que atua na produção de copos, potes e bandejas usando fécula de mandioca como matéria-prima.

Ao final da vida útil, os itens acabam servindo como adubo. Ou seja, não precisam ser descartados.

A companhia foi fundada em 2002 pelo engenheiro Claudio Bastos e, atualmente, produz milhões de embalagens customizadas e biodegradáveis.

Nespresso

Famosa pelas máquinas de café e outras bebidas, a marca criou uma solução própria para reutilizar cápsulas de alumínio, investindo milhões de reais em iniciativas como o Centro de Reciclagem Nespresso.

Segundo relato para o site da Época, em 2019 a empresa recolhia 22% das cápsulas vendidas, através de um sistema mobilizado por carros elétricos nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro.

Enquanto o alumínio é reciclado inúmeras vezes, o pó de café é transformado em adubo.

Coca-Cola

A gigante do ramo de bebidas possui várias iniciativas locais em favor da economia circular, como a reutilização de suas garrafas de vidro.

Em 2019, a engarrafadora Coca-Cola FEMSA Brasil celebrou a reciclagem de 100 milhões de garrafas PET em um ano, por meio do centro de coleta SustentaPET.

O local funciona em parceria com catadores de material reciclável e cooperativas, fortalecendo sua atuação e colaborando para o descarte correto de resíduos.

Ikea

No exterior, um anúncio recente deu destaque à varejista de móveis sueca, que irá comprar móveis usados de clientes que não os queiram mais.

Seu objetivo é diminuir o descarte das peças, que serão comercializadas como itens de segunda mão pela própria empresa, tendo como meta aderir totalmente à economia circular.

Para tanto, a Ikea planeja abrir uma loja de artigos usados na Suécia, ainda em 2020.

Conclusão

Gostou de saber mais sobre a economia circular e seus impactos?

Como vimos, este é um tema que precisa estar na pauta de empresas preocupadas com o futuro, o que reverte em benefícios também a ela.

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