A desigualdade de gênero no mercado de trabalho ainda é uma realidade persistente no Brasil e no mundo.
Apesar dos avanços nas últimas décadas, mulheres seguem enfrentando barreiras para alcançar igualdade de oportunidades, remuneração e representação.
Essa desigualdade afeta diretamente a produtividade das organizações, a competitividade econômica e o desenvolvimento social.
Empresas e instituições que ignoram essa pauta perdem talentos, comprometem a inovação e contribuem para a manutenção de um cenário excludente.
Entender as causas e os impactos da desigualdade de gênero no mercado de trabalho é essencial para profissionais, líderes, empreendedores, gestores públicos e todos que atuam na construção de ambientes mais equitativos.
Neste artigo, analisamos o cenário atual, os desafios estruturais, os fatores que perpetuam a desigualdade e apontamos caminhos para superá-la.
O que você vai aprender lendo este texto:
- Quais são os dados mais recentes sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro
- Por que as mulheres ganham menos que os homens no mesmo cargo, como medir e reduzir o gap salarial de gênero
- Como a desigualdade de gênero impacta os resultados e a competitividade das organizações
- Que fatores históricos e sociais ainda perpetuam as desigualdades entre homens e mulheres no trabalho
- Quais práticas líderes e gestores podem adotar para promover mais equidade nas empresas
- De que forma a formação de líderes mais conscientes pode transformar ambientes corporativos.
Continue a leitura para compreender quais ações podem fazer a diferença no combate à desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
Panorama atual da desigualdade de gênero no Brasil
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro se manifesta em várias dimensões: participação, remuneração, representatividade e divisão desigual das responsabilidades.
Diversos levantamentos recentes ajudam a entender esse cenário em profundidade.
Participação feminina no mercado de trabalho
De acordo com a PNAD Contínua do IBGE (quarto trimestre de 2024), as mulheres representavam 49,2% da força de trabalho no país.
Apesar da quase paridade em termos de participação, persistem diferenças significativas na forma como homens e mulheres são inseridos no mercado de trabalho, principalmente em relação ao acesso a empregos formais, estáveis e com proteção social.
As mulheres continuam enfrentando taxas mais elevadas de desemprego e informalidade, com impactos ainda mais severos sobre as mulheres negras, que acumulam os maiores índices de vulnerabilidade.
Diferença salarial entre homens e mulheres
Mesmo exercendo funções semelhantes e com níveis de escolaridade iguais ou superiores, as mulheres continuam recebendo menos.
Segundo o IBGE, elas ganham, em média, cerca de 80% do salário dos homens.
Esse dado expõe a necessidade de refletir sobre por que as mulheres ganham menos que os homens no mesmo cargo, um dos pilares da desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
Sub-representação em cargos de liderança
O relatório “Women in Business 2024“, da Grant Thornton, mostra que apenas 38% dos cargos de liderança no Brasil são ocupados por mulheres.
Apesar do avanço da escolarização feminina, a presença em conselhos, diretorias e cargos executivos ainda é limitada.
Esse é um dos principais obstáculos para mulheres chegarem a cargos de liderança.
Carga de trabalho não remunerada
As mulheres dedicam, em média, quase 10 horas a mais por semana a afazeres domésticos e cuidados familiares, segundo o IBGE.
Essa jornada dupla prejudica seu desempenho no mercado de trabalho, reduzindo sua disponibilidade para capacitações, promoções e funções de maior responsabilidade.
Intersecção de raça e gênero
Mulheres negras enfrentam uma realidade ainda mais dura, com os menores salários, maior informalidade e maiores taxas de desemprego.
Essa dupla discriminação aprofunda as desigualdades e dificulta a mobilidade profissional.
Os dados mostram a importância de entender como medir e reduzir o gap salarial de gênero e reforçam a urgência de ações que líderes podem tomar para promover equidade de gênero.
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho continua sendo um desafio sistêmico, que exige ação coletiva e comprometimento das organizações públicas e privadas.
Por que a desigualdade de gênero é um problema estratégico?

A desigualdade de gênero no mercado de trabalho compromete a competitividade, a inovação e o crescimento sustentável das organizações.
Trata-se de um problema estratégico porque limita o pleno aproveitamento do capital humano disponível e perpetua estruturas ineficientes.
Empresas que mantêm ambientes desiguais deixam de atrair e reter talentos, enfrentam maior rotatividade e têm dificuldade de construir equipes diversas e representativas.
Estudos mostram que a diversidade de gênero está diretamente associada a melhores resultados financeiros, criatividade e reputação institucional.
Além disso, a desigualdade de gênero tem implicações legais, éticas e reputacionais.
A pressão por transparência e responsabilidade social cresce a cada ano, e organizações que não promovem a equidade podem ser alvo de críticas públicas, processos judiciais e perda de competitividade.
A correção das disparidades salariais, a ampliação da presença feminina em cargos estratégicos e o combate a práticas discriminatórias são ações que geram valor para o negócio e para a sociedade.
Portanto, não se trata apenas de uma pauta de justiça social.
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho é um entrave à produtividade, à inovação e à sustentabilidade.
Reduzi-la é uma questão de inteligência organizacional e visão de longo prazo.
Fatores estruturais que mantêm a desigualdade
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho não é resultado de decisões individuais, mas de estruturas históricas e culturais que ainda moldam comportamentos, políticas e práticas institucionais.
Esses fatores perpetuam a exclusão, limitam oportunidades e reforçam desigualdades já existentes, mesmo em contextos de avanço educacional e crescimento da participação feminina no mercado de trabalho.
Compreender tais aspectos é fundamental para identificar os principais obstáculos para mulheres chegarem a cargos de liderança e para propor soluções eficazes.
A seguir, destacamos três elementos estruturais centrais nesse cenário.
Estereótipos de gênero
Os estereótipos de gênero são crenças cristalizadas que associam características específicas a homens e mulheres, influenciando expectativas, comportamentos e oportunidades.
No ambiente de trabalho, esses estereótipos levam à subvalorização de competências femininas, como empatia, escuta ativa e colaboração, e à supervalorização de características tradicionalmente atribuídas aos homens, como assertividade e liderança autoritária.
Além disso, muitas mulheres enfrentam resistência ao assumir cargos de liderança por serem vistas como “emocionais” ou “menos objetivas”, o que contribui para sua exclusão de espaços estratégicos.
Diferença salarial e jornada dupla
Um dos principais aspectos da desigualdade de gênero no mercado de trabalho é o gap salarial.
Mesmo com escolaridade igual ou superior à dos homens, mulheres recebem menos, enfrentando barreiras para promoções e bônus.
Esse cenário é agravado pela chamada “jornada dupla”, em que muitas mulheres acumulam o trabalho profissional com responsabilidades domésticas e de cuidado.
Isso impacta sua disponibilidade para jornadas mais longas, viagens a trabalho ou capacitações fora do expediente.
É nesse contexto que se torna essencial entender como medir e reduzir o gap salarial de gênero, adotando critérios objetivos, sistemas transparentes e políticas de remuneração equitativas.
Licença-Maternidade e Licença-Paternidade
A forma como as políticas de licença parental são estruturadas reforça desigualdades.
Enquanto a licença-maternidade costuma ser de 120 a 180 dias, a licença-paternidade geralmente é limitada a 5 ou 20 dias, dependendo do setor e da adesão a programas como o Empresa Cidadã.
Essa diferença transmite a ideia de que os cuidados com os filhos são responsabilidade exclusiva das mulheres, o que impacta negativamente sua carreira, especialmente em momentos decisivos de ascensão profissional.
Repensar essas políticas e incentivar modelos de parentalidade compartilhada são formas de combater um dos principais obstáculos para mulheres chegarem a cargos de liderança e promover ambientes mais equitativos.
Quais ações as lideranças podem adotar para combater a desigualdade de gênero?
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho só será superada com o engajamento ativo das lideranças.
Gestores, diretores e executivos têm o poder de transformar estruturas, rever práticas e promover mudanças significativas na cultura organizacional.
As ações que líderes podem tomar para promover equidade de gênero vão além de discursos e envolvem práticas concretas, mensuráveis e sustentáveis.
Veja algumas delas:
1. Estabelecer metas claras de diversidade e inclusão
Definir metas específicas para a contratação, promoção e retenção de mulheres, especialmente em cargos de liderança, é um passo essencial.
Essas metas funcionam como bússolas estratégicas, orientando decisões e direcionando investimentos.
A transparência sobre esses objetivos e seus resultados também fortalece a confiança dos colaboradores e do mercado.
2. Implementar políticas salariais equitativas
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho está diretamente relacionada às disparidades salariais.
Revisar faixas salariais, promover auditorias internas e utilizar ferramentas de avaliação imparcial são medidas que ajudam a identificar distorções.
3. Promover a equidade nos processos seletivos
É necessário revisar critérios de recrutamento e seleção para eliminar vieses inconscientes e promover candidaturas diversas.
Isso inclui treinamentos para recrutadores, uso de linguagem neutra em anúncios de vagas e valorização de trajetórias diversas.
As ações que líderes podem tomar para promover equidade de gênero começam antes mesmo da contratação.
4. Apoiar programas de mentoria e desenvolvimento
Mulheres frequentemente têm menos acesso a redes de apoio e oportunidades informais de crescimento profissional.
Iniciativas como programas de mentoria, coaching e planos de desenvolvimento individuais ajudam a romper esse ciclo e aumentam as chances de ascensão profissional.
Essas práticas contribuem para reduzir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho e ampliar a representatividade.
5. Promover cultura de inclusão e respeito

Mais do que garantir presença feminina, é necessário criar ambientes onde todas se sintam valorizadas, seguras e respeitadas.
Isso inclui a adoção de políticas de combate ao assédio, canais de denúncia efetivos e ações de educação sobre diversidade.
Construir uma cultura inclusiva reduz a rotatividade, melhora o clima organizacional e eleva o desempenho das equipes.
6. Garantir equilíbrio entre vida profissional e pessoal
Promover políticas que valorizem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal é fundamental para reduzir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
Mulheres ainda são as principais responsáveis pelos cuidados familiares, o que pode limitar sua presença em ambientes corporativos que desconsideram essa realidade.
Implementar práticas como horários flexíveis, regime híbrido, banco de horas e apoio à parentalidade contribui para um ambiente mais inclusivo.
Essas medidas beneficiam todos os colaboradores, mas têm impacto ainda maior na permanência e crescimento das mulheres na organização.
7. Monitorar indicadores de diversidade de forma contínua
Acompanhar indicadores específicos sobre diversidade, equidade e inclusão é essencial para guiar decisões estratégicas e corrigir distorções.
Lideranças comprometidas com a superação da desigualdade de gênero no mercado de trabalho devem estabelecer métricas claras e analisá-las periodicamente.
Esses dados incluem, por exemplo, distribuição de cargos por gênero, análise de promoções, turnover feminino e comparativo salarial.
O uso de painéis de dados e relatórios internos torna a gestão mais transparente e orientada por evidências.
Como a FIA Business School contribui com a formação de líderes para ambientes mais equitativos?
A transformação da realidade da desigualdade de gênero no mercado de trabalho passa, necessariamente, pela formação de lideranças conscientes, preparadas e engajadas com a diversidade.
A FIA Business School atua nesse cenário como uma referência na formação de gestores com visão estratégica e compromisso social.
Por meio de seus cursos de graduação, pós-graduação, MBA, mestrado e doutorado, a FIA oferece uma formação sólida, conectada às demandas contemporâneas e baseada em metodologias ativas de aprendizagem.
Os conteúdos abordam temas como diversidade, inclusão, ESG e gestão de pessoas com foco em equidade, preparando profissionais para enfrentar os desafios da liderança em ambientes complexos e diversos.
Além da excelência acadêmica, a FIA mantém diálogo constante com o mercado, promove eventos, debates e pesquisas que contribuem para o avanço de práticas mais justas no meio corporativo.
A formação contínua é um diferencial competitivo, e a FIA está comprometida com o desenvolvimento de líderes que saibam enfrentar a desigualdade de gênero no mercado de trabalho e construir organizações mais humanas, inovadoras e responsáveis.
Conclusão
A desigualdade de gênero no mercado de trabalho continua sendo um dos principais desafios sociais e econômicos da atualidade.
Como vimos, ela se manifesta em diferentes dimensões, tem raízes profundas e exige ações concretas, especialmente por parte das lideranças.
A FIA Business School tem um papel relevante na construção de soluções por meio da formação de líderes preparados para promover ambientes mais justos e inclusivos.
Acompanhe outros conteúdos no blog da FIA para se aprofundar em temas de gestão, liderança e equidade.
Referências:
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html