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Economia Criativa: O que é, Importância e Características

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Em tempos de turbulência econômica e política, a economia criativa se mostra como uma importante fonte de renda e geração de empregos.

E não é difícil entender do que se trata.

Como fica evidenciado no termo, criatividade e capital social são a matéria-prima para gerar um produto que dificilmente pode ser igualado por outra pessoa ou organização.

Uma pintura, um game para celular, uma peça de roupa, um filme.

Todos são exemplos de soluções que se enquadram na indústria da criatividade.

A economia criativa está longe de ser um termo fechado, por mais que seja bastante difundido, marcando presença há algumas décadas.

O que não está aberto para discussão é sua importância.

Segundo levantamento da FIRJAN, em 2017, a indústria criativa gerou R$ 171,5 bilhões (mais de 2,6% do PIB) e uma força de trabalho com mais de 837 mil trabalhadores formalizados.

É chavão falar que o brasileiro é criativo. Aqui está um setor onde podemos provar isso.

Ficou interessado no assunto? Então, confira este artigo completo, navegando pelos seguintes tópicos:

  • O que é economia criativa?
    • Quais são os nichos da economia criativa?
  • Como surgiu a economia criativa?
  • Qual a importância da economia criativa?
  • Atual estágio do Brasil na economia criativa
  • Como explorar o potencial da economia criativa?
  • Como ganhar dinheiro com bens intangíveis?
    • Tecnologia já puxa economia criativa
  • Qual o potencial do mercado inventivo?

Boa leitura!

economia criativa o que é
O termo economia criativa já se faz presente há um bom tempo

O que é economia criativa?

O conceito de economia criativa, ou Creative Economy, em inglês, tem um figura paterna clara em John Howkins e seu livro “The Creative Economy: How People Make Money From Ideas”, publicado em 2001 e traduzido para diversas línguas, inclusive o português.

Por aqui, a obra se chama “Economia Criativa – Como Ganhar Dinheiro com Ideias Criativas

A ideia central da economia criativa é incluir processos, ideias e empreendimentos que usam a criatividade como destaque para a criação de um produto.

O termo e sua consequente popularidade ganhou espaço inclusive na criação de políticas públicas, especialmente na China – onde o próprio Howkins atuou – e também no Reino Unido e Estados Unidos.

O Brasil também atentou para esse potencial. Em 2012, foi criada a Secretaria de Economia Criativa, inicialmente vinculada ao Ministério da Cultura.

Quais são os nichos da economia criativa?

Para focar a atuação e serem criadas estratégias direcionadas, foram definidos 20 setores dentro da economia criativa.

São eles:

  • Artes cênicas
  • Música
  • Artes visuais
  • Literatura e mercado editorial
  • Audiovisual
  • Animação
  • Games
  • Softwares aplicados à economia criativa
  • Publicidade
  • Rádio
  • TV
  • Moda
  • Arquitetura
  • Design
  • Gastronomia
  • Cultura popular
  • Artesanato
  • Entretenimento
  • Eventos
  • Turismo cultural.

Portanto, uma música é um exemplo de economia criativa, assim como o Carnaval do Rio de Janeiro, o Copan de Niemeyer e uma produção audiovisual, como Tropa de Elite.

Um exemplo interessante que também pode ser citado é a obra do artista Vik Muniz. Ela entra no espectro da economia criativa, assim como o documentário Lixo Extraordinário, sobre a relação dele com os catadores no aterro do Jardim Gramacho e as obras criadas com o material reciclado.

Na obra de Muniz, inclusive, é possível para traçar bem claramente a ligação entre economia criativa e sustentabilidade.

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A criatividade pode ser uma força que empurra a economia para a frente

Como surgiu a economia criativa?

O termo economia criativa surgiu em um contexto de valorização e exploração do potencial humanístico e financeiro da cultura, criatividade e imaginação.

Já a economia criativa em si é muito mais antiga do que isso, já que a produção e venda de arte, por exemplo, é algo que acontece há séculos.

O mais interessante de notar aqui não é tanto a origem da expressão economia criativa e a visão de Howkins, mas sua importância e os novos termos que foram surgindo e sendo relacionados na esteira.

Por exemplo, as indústrias criativas fazem parte dessa economia criativa.

O Department of Culture, Media and Sports (DCMS), do governo britânico, divide essas indústrias em nove setores, que se assemelham em muito aos que a secretaria do governo brasileiro selecionou (Audiovisual, TV e Rádio estão no mesmo setor para o DCMS).

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Os números da economia criativa são impressionantes e só devem crescer

Qual a importância da economia criativa?

Pelo que vimos até aqui, já é possível entender o quão significativa é a importância da economia criativa.

Além dos números citados acima sobre geração de empregos e valor no Brasil, há ainda outros que são impressionantes.

De acordo com pesquisa realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, se a economia criativa fosse um país, teria o quarto maior PIB, de 4,3 bilhões de dólares.

O número de trabalhadores também impressiona: 144 milhões de profissionais no mundo fazem parte da economia criativa.

Segundo Howkins, o crescimento da economia criativa nos Estados Unidos, China e em partes da Europa é três ou quatro vezes maior em média que o da economia em geral.

Ou seja, estamos falando de um setor que cresce no Brasil em plena crise e arranca com força em cenários mais otimistas e favoráveis, puxando a fila da economia.

E não é difícil de entender isso.

Um país pode perder infraestrutura, capacidade para investir e até reservas internacionais.

Mas a criatividade de suas pessoas sempre existirá, assim como sua cultura e história. A partir disso, diversas ideias podem surgir e empreendimentos serem realizados.

É função do governo e organizações em geral permitir que esse ecossistema se desenvolva com redução de burocracia, surgimento de linhas de crédito e apoio logístico.

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Assim como em diversos outros setores, o Brasil tem enorme potencial a explorar

Atual estágio do Brasil na economia criativa

Um estudo do British Council em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) abordou o estágio da economia criativa no Brasil.

O relatório traz muitas informações importantes e interessantes para sabermos onde estamos e para onde podemos ir.

Veja um trecho que vale a pena destacar;

“O país está entre os melhores países quando se trata de gerar experiências culturais únicas e transformar isso em um produto. Entretanto, por muitos anos, o Brasil teve dificuldades em transformar o sucesso criativo e cultural em ganhos sociais e econômicos, como trabalho, crescimento e competitividade.”

Uma das partes mais interessantes desse relatório fala da Análise SWOT (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) feita sobre a economia criativa no Brasil.

As forças e fraquezas são bem conhecidas por nós: diversidade, força da marca e festas populares convivem com a desvalorização de profissões criativas, pobreza, desigualdade e falta de acesso a investidores e investimentos.

Já a parte de oportunidades nos traz lições.

Entre elas, estão:

  • Criar um portfólio criativo integrado para valorizar a troca de informações
  • Apresentar esse portfólio para o mercado
  • Construir uma estrutura digital nas cidades menores e interior do país
  • Aumentar a conscientização da nossa força como uma economia criativa.

Entre as iniciativas do Ministério da Cultura, depois da criação da Secretaria da Economia Criativa, está a campanha Cultura Gera Futuro, que inclusive contou com um evento de grandes proporções em São Paulo.

Nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, as secretarias de cultura agora carregam também a economia criativa em seus títulos.

É de se esperar que o potencial desses setores comece a ser explorado com a participação do setor público.

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Um dos pontos fortes da economia criativa é sua facilidade de implementação

Como explorar o potencial da economia criativa?

Os relatórios apontados lançam os mesmos desafios, vulnerabilidades a  corrigir e oportunidades com o potencial do Brasil para explorar ainda mais a sua capacidade.

Um dos estudos de caso citados no relatório do British Council pode ser de grande ajuda.

A cidade de Guimarães, em Portugal, trabalhou em diversas áreas para ser nomeada a Capital Europeia da Cultura, no ano de 2012.

A cidade tem uma forte carga histórica, sendo a primeira capital do estado português.

Entretanto, ela passava por um período de decadência econômica, com sua indústria têxtil em declínio e sua capacidade turística subaproveitada.

Várias iniciativas foram postas em prática, como a aceleração e financiamento de seis designers da região para a criação de suas novas coleções.

Também um programa de intervenções em espaços públicos e privados para explorar novos papéis de lojas e espaços industriais vazios.

Além de eventos e atividades digitais envolvendo a população.

Tudo isso com a participação de órgãos públicos, da universidade da região e da população, estimulando a criação de ideias inovadoras.

Um exemplo citado é a proposição de negócios online das indústrias têxteis da região, usando o conhecimento dos alunos das instituições educacionais da área.

Esse é um pequeno exemplo, mas que pode ser aplicado no Brasil, em diversas cidades com forte carga histórica e população com potencial criativo.

economia criativa como ganhar dinheiro bens intangiveis
A tecnologia pode ser uma grande aliada das mentes criativas

Como ganhar dinheiro com bens intangíveis?

É até comum ouvir que não dá para viver de arte no Brasil ou que a cultura não é valorizada no país.

Essa visão pessimista pode não ser a mais adequada de se ter, mas não deixa de ser verdade.

Há setores da cultura que ainda são muito dependentes do apoio público ou, então, de recursos da Lei Rouanet, que tanta polêmica causou nos últimos anos.

Independente da sua posição sobre o assunto, é inegável que o problema não está na legislação, mas na falta de continuidade de campanhas e iniciativas que valorizem o pensamento sobre cultura e economia criativa como um todo.

Além, é claro, de critérios claros ao permitir isenções para empresas e pessoas físicas e a aprovação de captação para projetos que poderiam andar com as próprias pernas.

Independente da movimentação governamental, há como ganhar dinheiro com sua ideia criativa.

E a maior ferramenta a usar é a internet.

Seja por meio de um perfil no Instagram exibindo sua arte, um site para mostrar seus projetos, um ebook com sua ficção ou um canal no Youtube para sua produção audiovisual.

A internet permite que você chegue ao grande público tendo amplo controle criativo, algo que não existia poucos anos atrás, quando se dependia de emissoras de televisão ou editoras e gravadoras.

Isso não quer dizer que é só produzir conteúdo online e esperar o dinheiro cair na conta.

Independente do app, site ou plataforma escolhida, há que tomar uma série de iniciativas para aumentar a chance de sucesso.

Vamos a elas:

  • Mostre profissionalismo: é seu esforço, imaginação e suor que estão naquele produto. Seja sério e profissional ao expor ele ao mundo
  • Interaja com o meio: responda comentários, procure possíveis parceiros, tente chegar em novos círculos de possíveis fãs. Ponha sua cara para bater
  • Fique atento: inovações no mundo online surgem a todo momento. Seja uma nova plataforma ou um evento que pode fazer seu produto ser conhecido, há oportunidades em todo canto
  • Saiba o que as pessoas querem: isso não quer dizer para negar o que você quer fazer e só pensar no mercado. Mas boas ideias podem vir de necessidades que o público tem. E, com criatividade, o seu produto pode supri-las.

Tecnologia já puxa economia criativa

Focamos bastante na arte e cultura, mas a tecnologia também tem seu espaço na economia criativa. E ela é a mais valorizada neste momento.

Vale destacar este trecho do relatório da FIRJAN, já citado na abertura do artigo:

“Responsável por empregar 37,1% dos profissionais da economia criativa, o segmento de Tecnologia tem a maior média salarial entre os criativos. Em alinhamento à tendência mundial de transformação digital, empresas brasileiras se preparam para trabalhar com grande volume de dados e com a convergência das tecnologias.”

Ou seja, a indústria 4.0, o big data, o desenvolvimento de softwares e outras inovações já são excelentes campos para quem consegue aliar criatividade e domínio das tecnologias mais recentes.

economia criativa qual potencial inventivo
Não deixe sua ideia criativa de lado; tente de tudo para fazer acontecer

Qual o potencial do mercado inventivo?

Não há limites que possam ser colocados para a economia criativa.

Neste texto, vimos dados sobre seu crescimento em um Brasil com sérios desafios e sua superação de expectativas em países de economia consolidada.

O Brasil ainda pode muito mais, com um enorme potencial devido à cultura, diversidade, criatividade de seu povo e subutilização de recursos.

Mas, antes, há uma série de medidas importantes a serem adotadas

Entre elas:

  • Um plano coeso para permitir que mentes criativas possam desenvolver suas ideias, sem gastar um tempo enorme com burocracias, e encontrando a possibilidade de financiamento a juros baixos
  • Acesso à educação, desde material (livros, e-books), passando pelo envolvimento de profissionais gabaritados e contato com a mais alta tecnologia: computadores, celulares e rede de telecomunicações (estrutura digital)
  • Maior integração entre universidades, profissionais criativos, empresas de criatividade e organizações privadas e públicas
  • Conscientização sobre a importância da indústria criativa, a defesa de legislação específica e fortalecimento de ideias criativas locais.

Conclusão

A economia criativa tem um peso enorme na economia dos países desenvolvidos e também se destaca naqueles em desenvolvimento.

Por mais que o termo seja recente, historicamente falando, sua importância antecede em muito à criação da denominação.

E o seu peso só tende a aumentar, já que setores inteiros são reimaginados por mentes criativas.

O acesso à tecnologia é um dos catalisadores dessas mudanças.

Assim, surgem apps, plataformas e sites que fazem parte da indústria criativa ou, então, ajudam os profissionais criativos a terem seu espaço.

O Brasil é um país de mentes criativas e negócios inovadores nas mais diversas áreas, muito também pelas limitações impostas por seguidas contrações da economia.

Do lixo surge arte, das garrafas PET sai uma bicicleta e, com o desemprego, o sustento vem com bolos.

O potencial é imenso para uma indústria que já apresenta números impressionantes. A economia criativa não pode ser mais deixada de lado.

O que você pensa sobre o assunto? Aproveite para deixar seu comentário e também compartilhar este artigo em suas redes sociais.

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