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Stakeholders: o que são, exemplos e como fazer a gestão

22 de setembro 2026

Equipe reunida em torno de uma mesa com diferentes grupos conectados a uma empresa, representando stakeholders. Imagem: IA.

Os stakeholders são pessoas, grupos ou organizações que influenciam uma empresa, são influenciados por ela ou possuem algum interesse relacionado às suas decisões e resultados.

Clientes, funcionários, investidores, fornecedores, governos e comunidades estão entre os exemplos mais conhecidos.

Cada público mantém expectativas próprias e exerce diferentes níveis de influência sobre o negócio, o que torna essa relação um tema importante para estratégia, governança e sustentabilidade.

Entender quem são essas partes interessadas e como gerenciá-las ajuda a empresa a tomar decisões mais consistentes, antecipar riscos e construir relações capazes de gerar valor no longo prazo.

O que são stakeholders?

Stakeholders são todas as partes interessadas que mantêm alguma relação com uma organização e que, direta ou indiretamente, afetam suas atividades ou recebem os impactos de suas decisões.

O conceito ganhou espaço na administração ao ampliar uma visão de gestão centrada apenas nos proprietários do negócio, reconhecendo que empresas dependem de diversas relações para funcionar e alcançar seus objetivos.

Um funcionário é stakeholder porque seu trabalho interfere nos resultados e sua vida profissional é afetada pelas decisões da empresa, assim como clientes, fornecedores, investidores e comunidades possuem interesses relacionados à organização.

Por isso, identificar essas partes interessadas é uma etapa essencial para compreender o ambiente no qual a empresa atua.

Qual a importância dos stakeholders para a gestão estratégica?

Os stakeholders são importantes para a gestão estratégica porque decisões empresariais raramente afetam apenas quem ocupa cargos de liderança ou possui participação financeira na organização.

Uma mudança de fornecedor interfere na cadeia produtiva, uma política de preços afeta clientes, uma expansão territorial repercute nas comunidades e uma decisão ambiental desperta atenção de órgãos reguladores, investidores e sociedade.

Considerar essas perspectivas melhora a leitura de riscos e oportunidades antes de decisões relevantes.

A gestão de stakeholders também se relaciona diretamente à governança, já que transparência, prestação de contas e responsabilidade corporativa dependem da compreensão dos públicos envolvidos nas atividades da empresa.

É nesse contexto que o relacionamento com diferentes partes interessadas se torna um elemento da gestão responsável.

Quais as diferenças entre stakeholder e shareholder?

Stakeholder e shareholder não significam a mesma coisa, embora os conceitos frequentemente apareçam juntos nas discussões sobre administração.

  • Shareholder é o acionista ou sócio que possui participação financeira em uma empresa e, portanto, tem interesse direto em seus resultados econômicos e na valorização do investimento
  • Stakeholder é um conceito mais abrangente, pois inclui qualquer parte interessada relevante para a organização, tenha ou não participação societária.

Todo shareholder é, portanto, um stakeholder, mas nem todo stakeholder é shareholder.

Funcionários, consumidores, fornecedores e comunidades exemplificam essa diferença, já que não precisam possuir ações para ter seus interesses afetados pelas atividades da organização.

Uma gestão estratégica busca compreender essas diferentes expectativas sem perder de vista a sustentabilidade econômica do negócio.

Qual a diferença entre stakeholders internos e stakeholders externos?

A diferença está na posição que cada parte interessada ocupa em relação à estrutura da organização.

Os stakeholders internos fazem parte diretamente da empresa, como sócios, gestores e funcionários, participando de sua estrutura, processos ou decisões cotidianas.

Já os stakeholders externos estão fora da estrutura organizacional, mas mantêm relações ou interesses capazes de influenciar o negócio, como clientes, fornecedores, governos, imprensa, comunidades e órgãos reguladores.

A separação ajuda a organizar o mapeamento, mas não significa que um grupo seja sempre mais importante do que o outro.

A prioridade depende do impacto, do nível de influência e da situação analisada.

Uma mudança regulatória, por exemplo, torna determinado agente externo especialmente relevante, enquanto uma reestruturação interna exige atenção maior a funcionários e gestores.

Quais são os tipos de stakeholders?

Pessoas e grupos conectados a uma empresa, representando diferentes tipos de stakeholders internos e externos.
IMAGEM: IA.

Os tipos de stakeholders variam conforme o setor, o porte da organização e as características de cada negócio.

Alguns grupos, porém, aparecem na maioria das empresas e precisam ser considerados em qualquer análise estratégica.

Vamos conhecer mais sobre eles a seguir.

Sócios ou investidores

Sócios e investidores aportam recursos e possuem interesse direto no desempenho econômico, na geração de valor, na gestão de riscos e na continuidade da empresa.

Também costumam cobrar transparência, boa governança e informações capazes de sustentar decisões sobre manutenção ou ampliação dos investimentos.

Funcionários

Funcionários são responsáveis pela execução de grande parte das atividades que sustentam produtos, serviços e relacionamento com os demais públicos.

Suas principais expectativas envolvem remuneração, segurança, desenvolvimento profissional, reconhecimento, ambiente de trabalho saudável e clareza sobre os rumos da organização.

Gestores

Gestores transformam objetivos estratégicos em decisões, processos, prioridades e orientação das equipes.

Além de responder pelos resultados de suas áreas, precisam equilibrar interesses de diferentes stakeholders e levar informações relevantes à alta liderança antes de decisões que tenham impactos mais amplos.

Comunidades

Comunidades são especialmente relevantes quando as operações provocam impactos econômicos, sociais ou ambientais nos territórios onde a empresa está presente.

Empregos, circulação de veículos, uso de recursos naturais, projetos sociais e mudanças na infraestrutura local são exemplos de temas capazes de afetar essa relação.

Clientes

Clientes sustentam a geração de receita e influenciam diretamente em reputação, crescimento e competitividade.

Além de qualidade e preço, suas expectativas abrangem atendimento, segurança, transparência, experiência de compra e coerência entre aquilo que a empresa promete e o que efetivamente entrega.

Fornecedores

Fornecedores garantem acesso a produtos, matérias-primas, tecnologias e serviços necessários à operação.

Uma relação saudável exige critérios claros de contratação, pagamentos adequados, comunicação eficiente e acompanhamento de riscos relacionados à qualidade, continuidade do fornecimento, condições de trabalho e práticas socioambientais.

Governos

Governos interferem no ambiente empresarial por meio de legislação, políticas públicas, tributação, fiscalização, incentivos e decisões econômicas.

Empresas precisam acompanhar essas relações com transparência e integridade, mantendo processos capazes de garantir conformidade e diálogo institucional adequado.

Imprensa

A imprensa acompanha empresas, setores e acontecimentos de interesse público, contribuindo para formar percepções sobre marcas e organizações.

Uma relação profissional exige disponibilidade de informações confiáveis, porta-vozes preparados e capacidade de responder com clareza principalmente em situações de crise ou elevada exposição pública.

Órgãos reguladores

Órgãos reguladores estabelecem e fiscalizam regras específicas para atividades sujeitas a controle público, como finanças, saúde, energia, telecomunicações e transportes.

Ignorar suas exigências aumenta riscos de sanções, restrições operacionais e danos reputacionais, tornando o acompanhamento regulatório parte importante da gestão.

Como identificar os stakeholders da sua empresa?

A identificação começa pelo mapeamento de todas as pessoas e organizações, observando aquelas que:

  • Influenciam decisões
  • Fornecem recursos
  • Compram produtos
  • Trabalham no negócio
  • Regulam suas atividades 
  • Sofrem algum impacto decorrente da operação.

Vale envolver diferentes áreas nesse levantamento, porque a diretoria nem sempre enxerga públicos que mantêm contato frequente com equipes comerciais, operacionais, jurídicas ou de atendimento.

Depois, é necessário avaliar o interesse de cada grupo e sua capacidade de influenciar objetivos, projetos e reputação.

Uma matriz de stakeholders ajuda nessa tarefa ao organizar os públicos conforme critérios como influência, interesse, impacto e necessidade de relacionamento.

Grupos de alta influência e alto interesse normalmente exigem acompanhamento próximo, enquanto outros demandam comunicação periódica ou apenas monitoramento.

Também é importante revisar o mapa regularmente, já que novos projetos, regulamentações, mercados e mudanças sociais alteram a importância relativa dos públicos.

Em temas relacionados à sustentabilidade, esse processo se aproxima da construção da matriz de materialidade, usada para identificar prioridades relevantes tanto para o negócio quanto para suas partes interessadas.

Como fazer a gestão de stakeholders?

Fazer uma boa gestão de stakeholders significa transformar o mapeamento desses públicos em uma rotina estruturada de relacionamento, escuta, tomada de decisão e acompanhamento.

O objetivo não é atender a todas as solicitações, mas compreender expectativas, avaliar interesses legítimos e estabelecer relações coerentes com a estratégia da organização.

Conheça agora as principais etapas do processo.

Identifique e se alinhe com os stakeholders

O primeiro passo é conhecer cada público, seu grau de influência, suas expectativas e os temas que mais afetam a relação com a empresa.

Entrevistas, pesquisas, reuniões, canais de atendimento e análise de dados ajudam a reunir essas informações.

Depois, a organização deve definir quais grupos exigem relacionamento próximo e quais formas de comunicação funcionam melhor em cada caso.

Essa priorização evita tratar públicos muito diferentes com a mesma abordagem.

Estabeleça objetivos e metas em conjunto

A gestão ganha consistência quando a empresa transforma expectativas relevantes em objetivos claros e, sempre que fizer sentido, constrói compromissos em diálogo com as partes envolvidas.

Uma indústria que busca melhorar sua relação com uma comunidade, por exemplo, precisa conhecer as necessidades locais antes de definir um projeto social unilateralmente.

O mesmo vale para metas com fornecedores, funcionários e parceiros.

Objetivos compartilhados aumentam clareza sobre responsabilidades e reduzem interpretações diferentes sobre aquilo que foi acordado.

Elabore um plano de ação

Depois de definir prioridades e objetivos, organize ações, responsáveis, prazos, recursos e canais de comunicação necessários para cada grupo de stakeholders.

O plano deve indicar quem conduz o relacionamento, quais decisões dependem de aprovação e como problemas serão encaminhados.

Também é importante prever situações críticas.

Uma empresa preparada para responder a reclamações, mudanças regulatórias ou conflitos com comunidades reduz improvisações e melhora a qualidade das decisões diante de acontecimentos inesperados.

Implemente e mantenha KPIs de acompanhamento

Indicadores ajudam a verificar se as ações estão produzindo o resultado esperado e se a relação com cada grupo evolui na direção desejada.

Os KPIs variam conforme o stakeholder e incluem satisfação de clientes, rotatividade de funcionários, prazo de pagamento a fornecedores, volume de reclamações, cumprimento de compromissos e participação em consultas ou iniciativas conjuntas.

Mais do que acumular métricas, a empresa precisa acompanhar indicadores relevantes e transformar os resultados em decisões.

Esse monitoramento também fortalece práticas de ESG, nas quais relacionamento, transparência e impactos sobre diferentes públicos ocupam espaço importante.

Conclusão

Os stakeholders participam de diferentes dimensões da atividade empresarial e influenciam resultados, reputação, riscos e capacidade de crescimento.

Por isso, conhecer os stakeholders internos e externos, compreender suas expectativas e definir prioridades de relacionamento são práticas fundamentais para uma gestão estratégica.

Para aprofundar esse conhecimento, o curso de ESG para Stakeholders da FIA aborda gestão de stakeholders, mapeamento, engajamento, criação de valor e integração dos princípios ESG à estratégia empresarial.

Aproveite e confira outros conteúdos relacionados no blog da FIA.

Referências:

https://exame.com/esg/somente-2-das-empresas-brasileiras-sao-bem-avaliadas-por-todos-os-stakeholders

https://valor.globo.com/empresas/esg/coluna/de-shareholders-para-stakeholders-o-valor-de-uma-empresa.ghtml

https://exame.com/bussola/gestao-de-stakeholders-pode-impactar-positivamente-ou-nao-um-negocio

https://www.congressoemfoco.com.br/coluna/15942/como-mapear-stakeholders

https://neomondo.org.br/slider/stakeholders-engajados-na-pauta-esg-e-a-transformacao-dos-negocios

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Com um olhar sempre no futuro, desenvolvemos e disseminamos conhecimentos de teorias e métodos de Administração de Empresas, aperfeiçoando o desempenho das instituições brasileiras através de três linhas básicas de atividade: Educação Executiva, Pesquisa e Consultoria.

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