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Matriz de risco: o que é, como fazer e exemplos

24 de junho 2026

A matriz de risco é uma ferramenta usada para identificar, classificar e priorizar ameaças conforme sua probabilidade de ocorrência e seu impacto sobre projetos, processos ou empresas.

Ela ajuda gestores a transformar incertezas em informação organizada, facilitando decisões sobre aspectos que envolvem prevenção, mitigação, transferência ou aceitação de riscos.

Em ambientes corporativos cada vez mais pressionados por custos, prazos, segurança, reputação e conformidade, essa análise evita que recursos sejam direcionados apenas por percepção ou urgência momentânea.

Neste artigo, você vai entender o conceito, quando usar, quais benefícios oferece e como construir a matriz passo a passo.

O que é matriz de risco?

Matriz de risco é uma ferramenta visual que cruza a probabilidade de um evento acontecer com o impacto que ele causaria caso ocorresse.

Ela organiza riscos em níveis de criticidade, geralmente usando cores ou categorias como baixo, médio, alto e crítico.

Seu objetivo é apoiar a priorização de ações, mostrando quais ameaças exigem resposta imediata e quais podem ser apenas monitoradas.

Uma matriz de probabilidade e impacto costuma ser representada em formato de tabela, com uma escala para chance de ocorrência em um eixo e outra escala para severidade das consequências no outro.

Assim, um risco pouco provável e de baixo impacto recebe menor atenção, enquanto um risco provável e de alto impacto demanda um plano de ação robusto.

A ferramenta pode ser aplicada em gestão de projetos, segurança, finanças, tecnologia, operações, cadeia de suprimentos e governança corporativa.

Probabilidade

Probabilidade é a estimativa de chance de um risco acontecer dentro de determinado período ou contexto.

Ela pode ser classificada de forma qualitativa, como rara, possível ou provável, ou por faixas percentuais, quando há dados históricos disponíveis.

Na matriz de risco, essa variável ajuda a diferenciar eventos improváveis de ameaças recorrentes, orientando melhor o nível de atenção e acompanhamento necessário.

Impacto

Impacto é a intensidade das consequências caso o risco se materialize.

Ele pode envolver perdas financeiras, atrasos, acidentes, danos ambientais, interrupção de operações, prejuízo reputacional ou descumprimento regulatório.

Na matriz de risco, o impacto evita que a análise seja guiada apenas pela frequência, pois eventos raros também podem exigir prioridade quando suas consequências são severas.

Quando usar essa ferramenta de análise de riscos?

A ferramenta deve ser usada sempre que uma decisão envolver incertezas relevantes e necessidade de priorização.

Ela é especialmente útil no início de projetos, antes de mudanças operacionais, na implantação de tecnologias, em auditorias, no planejamento estratégico e em processos de segurança.

Também se torna indicada quando surgem sinais de alerta, como aumento de falhas, atrasos recorrentes, incidentes, queixas de clientes, não conformidades ou dependência excessiva de fornecedores críticos.

Um exemplo é a abertura de uma nova unidade produtiva, em que a empresa precisa avaliar riscos de licenciamento, fornecedores, segurança ocupacional, demanda e orçamento antes de aprovar investimentos.

Quais os benefícios da matriz de riscos?

O principal benefício da matriz de riscos é tornar a gestão mais objetiva, ajudando a priorizar ações conforme gravidade e chance de ocorrência.

Segundo o relatório The Future of Project Work — Pulse of the Profession, do Project Management Institute (PMI), organizações com melhor desempenho em projetos registram menos perdas financeiras, menor aumento indevido de escopo e maior capacidade de entregar resultados dentro do planejado.

Aqui está um resumo com os principais benefícios da ferramenta:

  • Priorização clara: separa riscos críticos de riscos toleráveis, evitando dispersão de recursos
  • Melhor comunicação: facilita o alinhamento entre diretoria, gestores, equipes técnicas e áreas de apoio
  • Prevenção de perdas: antecipa ameaças antes que elas afetem custo, prazo, segurança ou reputação
  • Decisões mais consistentes: reduz análises baseadas apenas em intuição e melhora a governança
  • Monitoramento contínuo: permite revisar riscos conforme o cenário muda.

Como fazer a matriz de risco?

Fazer uma matriz de risco envolve identificar ameaças, avaliar probabilidade e impacto, classificar prioridades e definir respostas proporcionais.

Mais do que preencher uma tabela, esse processo atua para criar uma visão comum sobre o que ameaça objetivos estratégicos, operacionais ou de projeto.

Quando bem construída, a ferramenta apoia decisões rápidas sem simplificar excessivamente riscos relevantes.

Conheça agora as suas etapas:

1. Identifique os riscos

O primeiro passo é listar eventos que podem comprometer metas, entregas, segurança, orçamento, imagem ou conformidade.

Essa identificação deve envolver lideranças, especialistas técnicos e pessoas próximas da operação, porque cada área enxerga ameaças diferentes.

Na prática, vale usar entrevistas, análise de processos, histórico de falhas, auditorias, lições aprendidas e registros de incidentes.

Quanto mais concreta for a descrição do risco, mais fácil será definir causas, consequências e responsáveis.

2. Defina probabilidade e impacto

Depois de identificar os riscos, é preciso atribuir notas ou categorias para probabilidade e impacto.

A escala pode variar de 1 a 3, 1 a 5 ou outra estrutura compatível com a maturidade da organização.

O essencial é deixar claro o significado de cada nível, evitando interpretações diferentes entre áreas.

Em uma matriz de probabilidade e impacto, essa etapa transforma percepções dispersas em critérios comparáveis.

3. Classifique os riscos

Com as notas definidas, cada risco deve ser classificado conforme sua criticidade.

Normalmente, multiplica-se ou cruza-se probabilidade e impacto para posicionar o risco em uma zona de prioridade.

  • Riscos críticos: exigem ação imediata, responsáveis definidos e acompanhamento frequente
  • Riscos médios: pedem controles e monitoramento
  • Riscos baixos: podem ser aceitos ou apenas observados.

4. Monte a matriz

A montagem consiste em posicionar cada risco no quadro visual, geralmente com cores como verde, amarelo, laranja e vermelho.

Essa visualização torna a análise mais simples para reuniões executivas, comitês e equipes operacionais.

O ideal é registrar também a descrição do risco, causa provável, efeito esperado, controles existentes, responsável e prazo de revisão.

Assim, a matriz passa a orientar a gestão.

5. Defina planos de resposta

Após priorizar, a empresa deve decidir como tratar cada risco.

As respostas mais comuns são evitar, reduzir, transferir ou aceitar o risco.

Um risco de acidente grave, por exemplo, pode exigir treinamento, bloqueios físicos, inspeções e revisão de procedimentos.

Já um risco financeiro pode demandar seguro, hedge, cláusulas contratuais ou reservas de contingência.

6. Revise periodicamente

A matriz precisa ser revisada sempre que houver mudanças de cenário, processos, fornecedores, tecnologia, legislação ou estratégia.

Riscos não são estáticos, e controles que funcionavam antes podem perder eficácia.

Por isso, empresas maduras tratam a revisão como rotina de governança, não como atividade pontual.

Exemplos de matriz de risco

Visualizar exemplos ajuda a entender melhor como a ferramenta se comporta na prática, especialmente quando empresas publicam seus métodos de avaliação.

A Bayer apresenta uma matriz de avaliação que cruza impacto e probabilidade para classificar riscos como altos, médios ou baixos, considerando efeitos em fluxo de caixa, reputação, confiança de stakeholders, pessoas e meio ambiente.

Por sua vez, Balfour Beatty, empresa global de infraestrutura, trouxe uma matriz de probabilidade e impacto aplicada a riscos como saúde e segurança, entrega de projetos, cadeia de suprimentos, crimes cibernéticos, compliance e força de trabalho.

Já a SGL Carbon publicou uma matriz para classificar oportunidades e riscos com base em impacto financeiro e probabilidade, incluindo riscos financeiros e não financeiros, além de revisões trimestrais pelo grupo de controladoria.

No Brasil, vale citar a Petrobras, que apresenta em seus relatórios de gestão de riscos uma abordagem baseada na combinação entre probabilidade e impacto para avaliar eventos que possam afetar seus objetivos estratégicos.

A companhia classifica riscos segundo critérios financeiros, operacionais, legais, regulatórios, ambientais e reputacionais, conectando a análise à governança corporativa.

Esses exemplos de matriz de risco mostram que a ferramenta não se limita a um setor específico.

Ela também aparece em aplicações operacionais, como a matriz de risco na segurança do trabalho, em que a classificação de perigos ajuda a priorizar controles para evitar acidentes graves.

Como usar a matriz de risco e priorizar ações nas empresas?

Usar a matriz de risco exige transformar a classificação em decisões práticas, responsáveis claros e acompanhamento contínuo.

O primeiro cuidado é não tratar a matriz como documento estático, mas como instrumento de gestão usado em reuniões, auditorias e revisões de desempenho.

Também é importante evitar erros comuns, como superestimar riscos conhecidos, ignorar riscos emergentes ou criar escalas vagas demais.

A priorização deve considerar criticidade, custo de mitigação, prazo, capacidade de resposta e apetite ao risco da organização.

Na matriz de risco na segurança do trabalho, por exemplo, um risco de baixa frequência pode ser prioridade máxima se envolver potencial de fatalidade.

Conclusão

A matriz de risco é uma ferramenta simples, visual e estratégica para organizar ameaças conforme probabilidade e impacto.

Ao longo do artigo, vimos o conceito, os elementos principais, os momentos de uso, os benefícios, o passo a passo de construção e exemplos reais de aplicação em empresas.

Em projetos, processos ou operações corporativas, a análise estruturada de riscos melhora decisões e reduz perdas evitáveis.

Para aprofundar sua visão sobre gestão, governança e estratégia, acompanhe outros conteúdos no blog da FIA.

Referências:

https://www.pmi.org/learning/thought-leadership/future-of-project-work

https://reports.bayer.com/annual-report-2025/en/report-on-future-perspectives-and-on-opportunities-and-risks/opportunity-and-risk-report/group-wide-opportunity-and-risk-management-system.html

https://www.balfourbeatty.com/media/gszh5us0/balfour-beatty-annual-report-and-accounts-2019.pdf

https://www.sglcarbon.com/data/company/investor-relations/Hauptversammlung/Annual-Report-2023-SGL-Carbon-SE.pdf

https://sustentabilidade.petrobras.com.br/w/modelo-de-gerenciamento-de-riscos

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