Pandemia acelera migração para home office também em Curitiba

23 jul 20

Pandemia acelera migração para home office também em Curitiba

Antes da pandemia de Covid-19, o home office já era uma tendência pela economia e logística, mas muitos empregadores e empregados ainda viam a alternativa com certa desconfiança, principalmente sobre a produtividade e sobre as condições de trabalho em casa. Porém, com a necessidade de isolamento social, muitas empresas foram obrigadas a aderir à modalidade, se surpreendendo com o resultado.

Pesquisas têm revelado que tanto gestores como trabalhadores estão aprovando o trabalho neste novo molde e já comemoram a redução de custos. Empresas de Curitiba já anunciam que vão aderir ao modelo definitivamente.

Pesquisa da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA), mostra que há um grande potencial de expansão do trabalho em home office no Brasil, pós pandemia da Covid-19, em cargos de nível superior, gestores e professores.

Segundo a pesquisa, os (1.566) trabalhadores ouvidos, todos em home office, reportaram altos níveis de satisfação com seu trabalho em casa e uma percepção de que seu desempenho foi impactado positivamente com a modalidade do teletrabalho: 70% disseram que gostariam de continuar trabalhando em home office depois da pandemia; 19%, que não gostariam; e 11%, que são indiferentes.

De acordo com um dos coordenadores do estudo, professor da FIA André Luiz Fischer, o isolamento e o consequente trabalho em home office, desencadeados pela pandemia, serviram para destravar a migração do trabalho no escritório para a casa. “O isolamento provocou um aprendizado forçado e imediato de ferramentas que antes apenas conhecíamos como facilitadoras de conversas e encontros virtuais sociais. Tornaram-se instrumentos de trabalho e deram certo”, destacou.

Pesquisa revela o que curitibanos pensam sobre trabalhar em casa

Pessoas que estão trabalhando de casa forçadas pela quarentena encontram-se mais sobrecarregadas e em um ritmo mais acelerado. Em contrapartida, a flexibilidade no horário e não precisar enfrentar o trânsito no deslocamento são os pontos positivos da modalidade. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Grupo Estudo Trabalho e Sociedade (GETS) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em parceria com a Rede de Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista (Remir).

O estudo, que teve o objetivo de compreender as condições gerais dos trabalhadores e a adaptação quanto à mudança do trabalho presencial para o trabalho remoto em razão da crise causada pela covid-19, alcançou cerca de mil respostas de profissionais dos mais diferentes segmentos, categorias e funções, contemplando, na maior parte, trabalhadores do setor público (65,12%) e com alto nível de escolaridade da cidade de Curitiba.

O aumento considerável de dias e horas de trabalho durante a pandemia foi um dos aspectos constatados nos resultados da pesquisa. Do total de trabalhadores entrevistados, 34,44% estão exercendo suas atividades laborais por mais de oito horas diárias, isso é mais que o dobro de pessoas que antes adotavam essa prática, e 17,77% trabalham os sete dias da semana. Para quase metade dos respondentes (48,45%), o ritmo de trabalho ficou mais acelerado no home office.

A maior dificuldade apontada pelos entrevistados foi a falta de contato com os colegas de trabalho (60,55%), seguida pelo número de interrupções (54,59%) e dificuldade em separar a vida familiar da vida profissional (52,91%). Sendo que a maioria (61,15%) afirmou ter experimentado alguma dificuldade ao executar o trabalho remotamente. Nesse quesito as pessoas puderam marcar mais de uma alternativa.

Por outro lado, a flexibilidade de horários (69,09%), não enfrentar trânsito (66,23%) e a menor preocupação com a aparência (58,61%) foram citadas como facilidades dessa forma de trabalho.

Para quase metade dos entrevistados (47,91%), o trabalho remoto não é uma preferência, ainda que parte deles tenha a possibilidade de continuar na modalidade quando o período de isolamento deixar de ser necessário. Contudo, 40,29% dos respondentes afirmam que gostariam de permanecer trabalhando remotamente.

Entenda melhor sobre a pesquisa feita e sobre dicas para o home office neste link.


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